
Do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta terça-feira (5) que “não é possível o mundo dar certo se a gente perder o mínimo senso de responsabilidade no respeito à soberania dos países”.
A declaração ocorreu na abertura da 5ª Reunião Plenária do CDESS (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), o Conselhão, no Palácio Itamaraty. Ele afirmou não querer “gastar tempo” comentando o tarifaço dos EUA, nem a prisão do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com o presidente, o Conselhão “representa a cara da mais verdadeira economia no planeta Terra”. O órgão é composto por representantes da sociedade civil e assessora o presidente na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo.
Lula disse que o Brasil “perdeu muito” quando o Conselhão deixou de funcionar no governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023. “É por isso que, quando retornamos ao governo, resolvemos criar o conselho para fazer exatamente o que vocês fazem: se reunir, dar palpite, fazer sugestão, elaborar projeto de lei, projeto de decreto”, afirmou o presidente da República.
Respeito
Lula afirmou que o Brasil merece respeito e criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar novas taxações contra o País. “O presidente norte-americano não tinha direito de anunciar taxações como anunciou ao Brasil”.
Segundo Lula, Trump poderia ter ligado a ele ou ao vice-presidente Geraldo Alckmin, já que haveria disposição para diálogo. Ele acrescentou ainda que a medida não se trata de uma questão política, mas sim eleitoral.
O presidente reforçou que o Brasil merece respeito no cenário internacional e destacou seu papel como exemplo de país negociador. “Tem gente que acha que a gente é vira lata, tem gente que não gosta de se respeitar. E ninguém pode dizer que tem um governo que gosta mais de negociar do que nós. Eu nasci na vida política negociando […] nesse mundo, ninguém me dá lição de negociação”, afirmou, ao reiterar que lidou com vários magnatas.
Ele criticou a ausência de figuras nacionalistas no país e emendou que, hoje, os empresários são mais mercantilistas. O presidente voltou a afirmar que o Brasil não pode depender de um único país e reiterou que está cansado de ser tratado como pertencente ao Terceiro Mundo.
Lula também disse que há poucos “empresários nacionalistas” no Brasil. “Hoje você tem mais mercantilistas do que nacionalistas. Então, defender o Brasil ficou muito mais complicado”.
O presidente afirmou que nasceu na vida política negociando. “Ninguém me dá lição de negociação, eu já lidei com muitos magnatas do mundo. E eu respeito todos. Eu duvido que alguém tenha sido tratado com desrespeito por mim”.
(Reportagem: Lavínia Kaucz, Gabriel de Sousa e Giordanna Neves)
