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Política

Mutirão pró-Aliança tem conservadores, tias do zap e fãs de Weintraub

4 de fevereiro de 2020 Política
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Movimento Conservador organizou um mutirão para coletar apoios ao novo partido do presidente Jair Bolsonaro (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Por Fábio Zanini, da Folhapress

SÃO PAULO – Saudosistas dos militares, conservadores desde criancinha, tias do zap e até fãs do criticado ministro Abraham Weintraub (Educação) saíram de casa na manhã cinzenta de sábado, 1°, em São Paulo, para dar sua assinatura em prol da criação do Aliança Pelo Brasil.

Todos atendiam ao chamado nas redes sociais do Movimento Conservador, que organizou um mutirão para coletar apoios ao novo partido do presidente Jair Bolsonaro.

Para facilitar o processo, o ponto de encontro foi o 9° Cartório de Registro de Notas, no bairro do Paraíso. Pregado num poste em frente à entrada, um banner da Aliança dava as instruções básicas para concretizar o apoio.

“Nunca participei de política. Agora eu vivo a política até o sangue, até a medula óssea”, disse a dentista Raquel (não quis dar o sobrenome), que se declara conservadora desde a juventude. “Eu fui uma hippie de direita aos 17 anos”, afirmou.

Entusiasmada com Bolsonaro, afirmou que já está em campanha pela sua reeleição em 2022 e pela vitória de Sergio Moro (Justiça) em 2026.

“Tomara que eles não briguem”, ressalvou, para quem Moro é, ao lado de Weintraub, o melhor ministro do governo. “Meu ídolo é o Weintraub, eu amo o Weintraub!”, declarou.

O roteiro cumprido pelos que foram dar sua assinatura para criar o novo partido era simples. As pessoas chegavam e pegavam uma ficha da Aliança com um dos organizadores do evento, caso já não a tivessem imprimido em casa.

Preenchida a ficha, pegavam a fila do cartório para abrir firma (se já não a tivessem) e reconhecê-la. Pagavam taxa de R$ 6,45, preço de tabela do cartório, e entregavam a um integrante do Movimento Conservador na saída do prédio.

O movimento diz que se encarregará de enviar as fichas para um cartório eleitoral para que sejam conferidas. A ideia de reconhecer firma é tentar agilizar o processo de comprovação de que a assinatura é verdadeira.

Muitos faziam questão de tirar foto com a ficha, para guardar de lembrança e terem como uma garantia, caso por algum motivo desapareça. Entre os apoiadores de Bolsonaro, correm boatos, não confirmados, de que os Correios estariam desviando essas fichas.

Outra preocupação era quanto à boa vontade dos cartórios. A dona de casa Nanci de Faria, moradora de São Bernardo do Campo (SP), disse que teve dificuldade para registrar o apoio em sua cidade.

Relatou que primeiro se dirigiu a um cartório no bairro de Rudge Ramos, que teria se recusado a reconhecer firma de apoio à Aliança. “Disseram que se eu quisesse fazer o reconhecimento, ia estar perdendo dinheiro”, afirmou.

Em outro cartório, continuou, não quiseram devolver a ela a ficha, mas enviar diretamente à Justiça Eleitoral. “Isso se chama boicote”, afirmou Faria.

Sua amiga Alessandra Favorin decidiu apoiar a Aliança para ajudar Bolsonaro em sua tentativa de mudar o Brasil.

“O maior problema é o Supremo Tribunal Federal, que impede o presidente de fazer o que é preciso”, diz ela, também fã do ministro Weintraub. “Esse ministro da Educação é nota dez. Está querendo resgatar nossos valores”, afirma.

A reportagem entrou em contato com o cartório que teria se recusado a registrar a ficha. Uma atendente afirmou que ali funciona um cartório de registro civil, e não de notas, e que normalmente esse tipo de serviço não é feito.

A Aliança tenta se viabilizar para a eleição municipal de outubro. São necessárias 492 mil assinaturas validadas pela Justiça Eleitoral até o início de abril.

“Nós vamos conseguir as assinaturas até o final de fevereiro. Já foram obtidas em todo o Brasil mais de 250 mil, em apenas 20 dias úteis de coleta. Daí é com a Justiça Eleitoral”, disse Edson Salomão, presidente do Movimento Conservador.

A entidade organizou mutirões em 70 cidades do interior paulista, além de municípios no Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em uma hora, foram coletadas 40 assinaturas de apoiadores. Haverá outros mutirões em dias de semana e aos sábados até o dia 21 de fevereiro.

Os cartórios, que prestam um serviço público, não podem dar apoio logístico para a formação de um partido político. Oferecer estrutura material ou dar isenção das taxas cobradas é vedado, por exemplo.

Não havia sinais de favorecimento no mutirão de sábado. O horário de funcionamento do cartório, das 9h às 12h, é o normal para este dia da semana.

O aposentado Dermeval Rodrigues, do bairro do Jabaquara, levou para casa mais dez fichas de apoio à Aliança para familiares, mas se frustrou ao saber que cada um teria comparecer ao cartório para reconhecer firma.

“O jeito vai ser cada um tentar fazer isso durante a semana mesmo”, afirmou. Mecânico que trabalhou na Varig, companhia aérea que faliu há dez anos, ele diz que na época do regime militar sua vida era muito melhor.

“Na Varig a gente tinha ambulância para atender aos funcionários que trabalhavam no aeroporto. Daí, quando a CUT assumiu o sindicato, venderam as ambulâncias para comprar carros de som”, reclama.

A melhor qualidade do presidente Bolsonaro, afirma ele, é a ausência de corrupção. Mas e o caso Queiroz?

“Tem que apurar, o presidente já falou. E se o cara estiver errado, vai pra cadeia. Nem que seja o filho do presidente”, afirmou ele, que elegeu Moro, Paulo Guedes e Weintraub como os melhores ministros do governo.

Outra apoiadora presente, a aposentada Denise de Freitas disse que, quando o partido for criado, pretende se filiar. Será sua primeira experiência de militância política.
E ela disputaria algum cargo eleitoral? “Não! Sou apenas uma tia do zap”, afirmou.

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Assuntos Abraham Weintraub, Aliança pelo Brasil, Jair Bolsonaro
Redação 4 de fevereiro de 2020
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