
Por Henderson Martins, da Redação
MANAUS – Depois de dois anos da morte da líder comunitária Maria das Dores dos Santos Salvador, de 52 anos, conhecida como Dora, da Comunidade Portelinha, município de Iranduba, a 27 quilômetros de Manaus, o MPF-AM (Ministério Público Federal no Amazonas) investiga novo conflito fundiário na mesma região. Desta vez, Comunidade Igarapé do Bode.
A ação é assinada pela procuradora da república Luísa Astarita Sangoi e tem como objetivo apurar a possível ameaça de morte aos assentados. O órgão informou que foram expedito ofícios ao Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária), SPU (Superintendência do Patrimônio da União), PGE (Procuradoria Geral do Estado) e à SPF (Secretaria do Estado de Política Fundiária) pedindo informações sobre a situação. “Não houve nenhuma resposta, tendo em vista a dificuldade de identificar a localização exata da área, em virtude da ausência de coordenadas geográficas”, disse a procuradora.
Luísa Astarita determinou o agendamento de reunião com a direção do Incra e os representantes envolvidos a fim de esclarecer qual a localização exata da área e esclarecer quais as providências sobre a regularização fundiária.
Assassinada
A ativista e enfermeira Dora foi sequestrada no dia 12 de agosto de 2015, em casa. No dia seguinte, o corpo dela foi encontrado com 12 tiros e marcas de tortura no quilômetro 40 da Rodovia Manoel Urbano (AM-070).
Duas pessoas foram presas na época suspeitas de envolvimento no crime, entre eles o caseiro de Dora, Ronaldo de Paula da Silva, 21, que confessou participação, e o motorista Adson Dias da Silva, 38, conhecido como ‘Pinguelão’.
A ativista denunciava a venda ilegal de terras na região e a pelo menos quatro anos havia registrado 25 boletins de ocorrência contra ‘Pinguelão’, que seria o principal responsável pelo comércio ilegal de lotes na comunidade.
