
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — O MP-AM (Ministério Público do Amazonas) reforçou, na sexta-feira (1º), o pedido para que Robson Silva Nava Júnior e Bruno da Silva Gomes sejam levados a julgamento pelo Júri Popular pela morte de Mohammad Manasrah e pela tentativa de homicídio do irmão dele, Ismail Manasrah. Segundo o MP-AM, os crimes foram cometidos por motivo fútil e à traição.
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu por volta das 2h da manhã, em via pública, na Rua Rio Içá, em frente à casa noturna Rox Club e Lounge, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul de Manaus. A agressão aconteceu após um desentendimento entre Bruno, Robson e o grupo de Mohammad e Ismail dentro da boate.
Mohammad foi morto com um golpe de gargalo de garrafa no pescoço. Ismail também sofreu ferimentos graves no rosto e nas costas ao tentar proteger o irmão.
O MP-AM sustenta que os depoimentos colhidos até o momento indicam que os dois acusados foram os responsáveis pelos ataques.
Na segunda-feira (4), a defesa de Bruno alegou que não há provas de que ele tenha desferido o golpe fatal e pediu que ele não vá a julgamento. “Não ficou provado em audiência o verdadeiro autor dos golpes que levaram a vítima fatal a óbito, e nem o laudo pericial aponta com clareza quem deu o golpe”, argumentou o advogado Deiwes Almeida. “Não há provas que apontem com clareza a participação do recorrente no crime de homicídio”, completou.
A manifestação do MP-AM é a última etapa antes de o juiz decidir se os acusados irão a julgamento, após um longo processo que incluiu investigação policial, denúncia e oitiva de testemunhas. Até o momento, apenas Bruno foi interrogado. Robson está foragido e, apesar de ter sido intimado, não compareceu à audiência, que seria realizada por videoconferência.
Preso desde fevereiro deste ano na UPP (Unidade Prisional do Puraquequara), na zona leste de Manaus, Bruno foi ouvido no dia 2 de julho. Em depoimento, disse que se envolveu em uma briga com um amigo de Mohammad dentro da boate e, do lado de fora, quis apenas “dar um murro no palestino” por ter se sentido humilhado. Ele afirmou ter agredido Ismail e negou estar armado.
A defesa sustenta que o pedido do MP-AM se baseia apenas em depoimentos, entre eles o de um segurança da boate que afirmou ter visto Bruno se aproximar do grupo de Mohammad com o gargalo de uma garrafa na mão.
O MP-AM pede que a Justiça reconheça as circunstâncias agravantes dos crimes — motivo fútil e traição. O promotor Marcelo Barros afirma que Bruno retirou a camisa que usava e se escondeu entre veículos estacionados do outro lado da rua, enquanto Robson tentava distrair as vítimas com uma conversa, impedindo que fossem embora e facilitando o ataque.
Apesar de estar foragido, Robson constituiu uma advogada para representá-lo no processo, mas até agora ela não apresentou defesa.
