
Do Atual
MANAUS – O MPAM (Ministério Público do Amazonas) fará estudos sobre produção econômica, assistência social, saúde e educação para propor políticas públicas nos municípios do estado. Coari (a 363 quilômetros de Manaus) será a primeira cidade a receber o projeto-piloto “IDH+ – Cidadania e Justiça”, lançado nesta segunda-feira (22) na capital amazonense.
Coari foi escolhida como cidade-piloto por ter no município unidades bem estruturadas da Ufam e da UEA, duas parceiras do projeto. A iniciativa é em parceria com a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), UEA (Universidade do Estado do Amazonas).
O promotor e coordenador do IDH+, Lauro Tavares da Silva, disse a o projeto “nasceu” da constatação de que no Amazonas, desde que foi criada a metodologia que mede o IDH (Índice do Desenvolvimento Humano), os índices são desfavoráveis. Em alguns municípios, segundo o promotor, o IDH chega a ser “aviltante”.
“Os dados que nós tínhamos são de 2010, então já se passaram, praticamente, mais de 15 anos […]. A gente precisa entender esses indicadores no estado do Amazonas. A gente precisa saber, realmente, qual a realidade disso e a gente precisa de algo mais atual”, disse Lauro Tavares.
Segundo o promotor, o IDH+ reunirá dados do grupo de pesquisa Atlas ODS Amazonas, da Ufam. Serão analisados 35 indicadores para criar um ranking “que seja mais mais próximo da realidade de cada município”.
“Nossa realidade é extremamente dura e extremamente difícil. Eu confesso a vocês que, quando me deparei com alguns indicadores do Amazonas, a sensação é de impotência. A gente errou, como membros de uma sociedade, criamos uma sociedade desigual e precisamos fazer alguma coisa”, disse Lauro Tavares.

“O intuito é irmos ao interior do Estado, conhecer a realidade local, ouvir as pessoas, por meio de uma escuta social, e ao mesmo tempo fornecer aos gestores desses municípios ferramentas, como indutores de políticas públicas”, disse.
O reitor da Ufam, Sylvio Mario Puga, explicou que o símbolo “+” é referente a atualização dos indicadores que existem desde 2010 para um Raio-X mais preciso da situação socioeconômica dos municípios.
Roque Nunes Marques, procurador de justiça aposentado e idealizador do projeto, explicou que ele foi “pensado há 8 anos”, mas aprimorado para que agora pudesse ser implementado. “O projeto foi pensado como IDH, mas o IDH é um número. Não podemos esquecer que por trás de cada número, tem alguém que está clamando por justiça, educação e por uma saúde melhor”.
Para Ademar Martins de Vasconcelos, diretor do Grupo Acariquara, parceiro da iniciativa, um dos principais focos do projeto é a cooperação entre as entidades envolvidas, além da mobilização social para envolver a população na busca da “melhoria da vida”.
Em Coari, dois promotores do MPAM vão atuar na pesquisa, que inclui audiências públicas e coleta de dados sobre moradia, renda, grau de instrução e saúde. Em 2010, o IDH do município foi de 0,586 o que é considerado baixo pela ONU. Em 2021, o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) estimou o IDH do município em 0,783, avaliado como alto. Mas o índice não foi confitmado.
