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Política

Mourão diz que disputa por início de vacinação é politicagem

18 de janeiro de 2021 Política
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Em artigo publicado nesta quarta, Hamilton Mourão chama os manifestantes de 'baderneiros' e diz que é 'desonesto' fazer relação do governo com o nazismo (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Vice-presidente Hamilton Mourão foi o primeiro inquilino do Palácio do Planalto a se manifestar (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Por Daniel Carvalho, da Folhapress

BRASÍLIA – Diante do silêncio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) o primeiro inquilino do Palácio do Planalto a se manifestar, nesta segunda-feira, 18, sobre o início da vacinação contra a Covid-19, no domingo, 17.

Mourão evitou polarizar com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que garantiu para si os holofotes ao sair na frente e vacinar a primeira brasileira em território nacional, impondo uma derrota ao governo federal na queda de braço pelo início da imunização contra o novo coronavírus.

Repórteres questionaram Mourão sobre a declaração do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, de que Doria agiu em desacordo com a lei ao vacinar a primeira pessoa no domingo.

“Ah, isso aí eu não vou entrar nesse detalhe. Isso aí tudo é politicagem. Eu não entro na politicagem. O meu caso aqui, você sabe que eu lido com as coisas de forma objetiva. Isso aí eu deixo de lado”, disse Mourão.

O vice-presidente também elogiou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que, no domingo, aprovou, por unanimidade, a autorização para o uso emergencial das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca.

Após cinco horas de reunião, os cinco diretores deram parecer favorável à liberação dos imunizantes, acompanhando a relatora Meiruze Sousa Freitas, primeira a votar.

Em seus votos, os diretores da agência defenderam critérios técnicos e científicos para as decisões referentes à Covid-19, que todos sejam vacinados e também o distanciamento social.

Indiretamente, trata-se de uma crítica ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desde o início da pandemia se posicionou contra políticas de isolamento e vem defendendo que a vacina não deve ser obrigatória, além de propagandear medicamentos sem comprovação científica, como a hidroxicloroquina.

“A Anvisa fez excelente o trabalho dela. Tem aí duas vacinas aprovadas, tem vacina contratada para até o final do ano vacinar 70% da população brasileira, e, consequentemente, a gente chegaria numa situação, ao fim desse ano, com liberdade de manobra em relação a essa pandemia”, afirmou Mourão.

No domingo, o diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres, aliado muito próximo de Bolsonaro, foi o último diretor a votar e reforçou que a aprovação da vacina não deve significar o relaxamento de outras medidas de proteção. Nesta segunda, Mourão foi na mesma linha.

“Faço minhas as palavras do almirante Barra Torres, ontem, quando ele disse que não é porque a pessoa tomou uma vacina hoje que amanhã pode estar na rua sem as medidas de proteção”, disse Mourão.

Também divergindo da linha de atuação de Bolsonaro, o vice-presidente disse que é preciso resolver primeiro a questão sanitária e, depois, a econômica.

“Agora é seguir dentro das regras que foram estabelecidas, dos diferentes grupos, ninguém furar fila, não haver, assim, uma falta de solidariedade e, consequentemente, nós vamos resolver esse problema e o principal, que vem depois, é resolver a situação econômica do país de modo que a gente consiga retornar a uma situação melhor de emprego para nosso povo e o país entre em um ciclo de crescimento. É isso que a gente está esperando”, afirmou Hamilton Mourão.

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Assuntos Hamilton Mourão, vacina contra a Covid-19, vacinação
Redação 18 de janeiro de 2021
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