
Do ATUAL
MANAUS – No Amazonas, 5.220 criança e adolescentes ficaram órfãos por mortes dos pais entre 2020 e 2021, os piores anos da pandemia de Covid-19. Nesse período, outras 8.620 perderam os avós ou outro familiar que cuidava delas. Considerando pais, avós e outro familiar responsável, a Covid-19 deixou 13,8 mil órfãos no Estado.
O número consta em estudo de pesquisadores ingleses, brasileiros e americanos sobre o impacto da pandemia e a desigualdade entre os estados. Incluindo cálculos por grupo de mil crianças, 3,6 perderam o pai ou a mãe. No caso dos avós ou outro familiar, 6 crianças e adolescentes a cada mil ficaram órfãos. Considerando os pais, avós e outro familiar, foram 9,6 crianças a cada mil que ficaram órfãos apenas por mortes associadas à Covid-19 no Amazonas.
Considerando todas as causas de orfandade, além das associadas à Covid-19, 44,1 mil crianças e adolescentes ficaram órfãos com a perda dos pais, avós ou outro familiar que cuidava delas no Amazonas.
A perda apenas dos pais afetou 13,9 crianças a cada mil. A perda de avós ou outras pessoas das quais elas dependiam foi de 17,1 crianças por cada grupo de mil. E incluindo pais, avós e outras pessoas da família, o parâmetro foi de 30,7 crianças a cada mil na análise de outras causas além da provocada pela pandemia.
Conforme a pesquisa, a Covid-19 resultou 284 mil órfãos no país. Desses, 149 mil perderam o pai, a mãe ou os dois. No caso do Amazonas, 20 mil perderam o pai, 24,5 mil os avós ou parentes mais velhos e 44,1 mil viram o pai, a mãe, avós e outros parentes morrerem.
Os pesquisadores analisaram números a partir de dados demográficos, como a taxa de natalidade e o excesso de mortalidade ─ mortes acima do esperado ─ entre 2020 e 2021. Alguns dos resultados são:
- Cerca de 1,3 milhão de crianças ou adolescentes, de 0 a 17 anos, perderam um ou ambos os pais, ou algum cuidador com quem elas viviam, por razões diversas;
- Dessas, 284 mil se tornaram órfãos ou perderam esse cuidador por causa da covid-19;
- Com relação apenas às mortes por Covid-19, 149 mil crianças e adolescentes se tornaram órfãos e 135 mil perderam outro familiar cuidador;
- 70,5% dos órfãos perderam o pai; 29,4%, a mãe; e 160 crianças e adolescentes foram vítimas de orfandade dupla;
- 2,8 crianças ou adolescentes a cada 1 mil perderam um ou ambos os pais, ou algum familiar cuidador por Covid-19;
- Entre estados, as maiores taxas de orfandade são as do Mato Grosso (4,4), Rondônia (4,3) e Mato Grosso do Sul (3,8), enquanto as menores são do Rio Grande do Norte (2,0), Santa Catarina (1,6) e Pará (1,4).
Ao calcular as taxas de incidência de órfãos em nível estadual por 1.000 crianças, as três regiões mais afetadas foram o estado de Roraima, com 17,5 por 1.000 crianças (15,6–20,6), Sergipe, com 15,7 por 1.000 (14,1–17,8) e Rondônia, com 14,4 por 1.000 (12,4–17,0). Apresentamos também estimativas desagregadas pelas cinco macrorregiões.
A pesquisa considerou a função direta de pais, avós ou outros parentes no cuidado de crianças e adolescentes e os pedidos de guarda feitos em cartórios. Conforme os pesquisadores, muitas crianças ficaram órfãs sem uma representação legal. O estudo incluiu a identificação de vulnerabilidade dos órfãos.
A Arpen/Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais) verificou que, de março de 2020 a setembro de 2021, 12,2 mil crianças de até 6 anos ficaram órfãos por causa da Covid-19, com proporções similares de mortes maternas e paternas, e de ocorrências ao longo dos meses. Como os dados da Arpen cobrem apenas as crianças nascidas de 2015 para cá ou aquelas que tiveram a certidão de nascimento reemitida, não seria possível saber a dimensão da orfandade apenas por eles, mas os registros serviram para reforçar a validade das estimativas do estudo. (Com Agência Brasil)
