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Política

Moraes manda PGR opinar sobre crime de calúnia de Flávio Bolsonaro contra Lula

29 de junho de 2026 Política
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Flávio Bolsonaro aparece com vantagem mínima sobre em cenário de segundo turno (Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado e SBT/YouTube/Reprodução)
Em ação no STF, Flávio Bolsonaro é acusado por Lula de calúnica (Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado e SBT/YouTube/Reprodução)
Do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu 15 dias para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre a conclusão da Polícia Federal de que o senador Flávio Bolsonaro cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão é de sexta-feira (26) e foi publicada no processo nesta segunda-feira (29).

A investigação se originou de um pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que apontou que, em 3 de janeiro deste ano, Flávio Bolsonaro publicou imagens que associavam o então presidente da Venezuela, o ditador Nicolás Maduro, ao presidente Lula, utilizando o seguinte texto: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”.

Em sua defesa, Flávio Bolsonaro apresentou uma série de requerimentos pedindo a oitiva de testemunhas. Os nomes solicitados incluíam a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o procurador-geral dos Estados Unidos Walter Joseph Clayton, o senador Sérgio Moro, o ex-procurador Deltan Dallagnol, e o próprio presidente Lula.

A defesa também queria que Flávio fosse ouvido apenas depois que as oitivas fossem realizadas. Os pedidos foram indeferidos pelo delegado em maio, com o argumento de que as diligências seriam “absolutamente inócuas” para o resultado do inquérito e teriam “caráter meramente protelatório”. Ou seja, tinham o objetivo de atrasar o processo. A defesa então recorreu ao próprio STF, mas Moraes também rejeitou o pedido.

Para a Polícia Federal, o crime de calúnia ficou configurado na postagem de Flávio. “Temos uma situação em que o Senador afirma que o Presidente Lula será delatado, referindo-se claramente ao instituto da colaboração premiada, a qual só é possível se a pessoa a ser delatada participou do cometimento de um crime. O Senador, na sequência, enumera condutas criminosas que seriam atribuídas ao Presidente Lula, dentre elas o crime de tráfico internacional de drogas, crime pelo qual Maduro é acusado pelos EUA, não deixando dúvidas de que sua acusação é de que o Presidente Lula teria cometido, dentre outros, o crime de tráfico internacional de drogas e por tal fato seria delatado por Maduro”, diz.

Para a Polícia Federal, “fica claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro”.

O crime de calúnia prevê pena de seis meses a um ano e multa. Contudo, as penas aumentam de um terço se o crime é cometido contra o presidente da República ou contra chefe de governo estrangeiro. Além disso, se o crime é cometido ou divulgado nas redes sociais, como é o caso em discussão, aplica-se em triplo a pena.

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Assuntos calúnia, Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, PGR, tráfico de drogas
Cleber Oliveira 29 de junho de 2026
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