
Do ATUAL
MANAUS — O município de Parintins foi o destino de políticos do Amazonas neste fim de semana, quando se realiza o 59° Festival Folclórico promovido pelos bois-bumbás Caprichoso e Garantido. De olho nas eleições de outubro, grande parte dos pré-candidatos aproveitaram a vitrine do festival para realizar ações na ilha.
Na abertura oficial da festa, nesta sexta-feira (26), o governador Roberto Cidade (União Brasil) discursou sobre o conjunto de investimentos do Governo do Amazonas para fortalecer o festival, incluindo apoio às agremiações, infraestrutura, turismo, saúde e segurança.
Segundo o governador, a expectativa é que a edição de 2026 movimente cerca de R$ 200 milhões, superando os R$ 184 milhões registrados em 2025, com a geração de mais de 45 mil empregos diretos e indiretos e a chegada de aproximadamente 126 mil visitantes.
“O festival de Parintins gera emprego, renda e dá oportunidade para o povo parintinense. Este ano a perspectiva é que a gente possa ultrapassar a meta de mais de R$ 200 milhões que vão circular nesses dias no município”, afirmou Roberto Cidade.

Mas é justamente o alto fluxo de visitantes — e o custo para chegar até a Ilha Tupinambarana — que tem motivado críticas e mobilizações de outros nomes da política amazonense.
O deputado federal Amom Mandel (Republicanos) lançou uma mobilização para que torcedores dos bois Caprichoso e Garantido, moradores, turistas e trabalhadores do festival registrem denúncias formais à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) sobre os preços das passagens para o município.
A iniciativa surgiu depois que a própria ANAC informou, em resposta a ofício do parlamentar, ter recebido apenas uma reclamação sobre os valores das passagens da rota Manaus–Parintins relacionada ao festival nos últimos cinco anos. Para Amom, o número não reflete a realidade: a população reclama todos os anos do aumento dos preços, mas raramente formaliza a denúncia nos canais oficiais.
Segundo dados enviados pela agência ao gabinete do parlamentar, a tarifa média da rota em junho saltou de R$ 663,35 em 2022 para R$ 1.352,19 em 2025 — alta superior a 100%. No mesmo período, a oferta de assentos caiu cerca de 42%, enquanto a Azul e sua subsidiária Azul Conecta passaram a concentrar a totalidade dos voos entre as duas cidades.

“O Festival de Parintins pertence ao povo do Amazonas, e ninguém pode ser impedido de viver a própria cultura porque uma passagem de uma hora custa milhares de reais”, declarou Amom.
O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) gravou vídeo direto do aeroporto Júlio Belém criticando os preços, que chegam a R$ 9,5 mil, e apontando a causa: a falta de infraestrutura para receber aeronaves maiores que o ATR (Avião de Transporte Regional) atualmente operado pela Azul. Para o vereador, cobrar a companhia aérea não resolve — é preciso ampliar a pista e a capacidade do aeroporto para atrair concorrência, além de viabilizar a operação comercial de táxis aéreos subsidiados.
Outras agendas políticas no festival
O senador Eduardo Braga (MDB) chegou a Parintins para entregar a revitalização do Hospital Jofre Cohen e cumprir agenda de obras, incluindo Vila Amazônia, Porto do Mocambo, Porto de Parintins e o recapeamento da pista do Aeroporto Júlio Belém após o festival. Ele recebeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

O senador Omar Aziz (PSD) também esteve no Hospital Jofre Cohen, destacando emendas parlamentares destinadas à unidade, e recepcionou Alcolumbre e o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
No campo eleitoral, Wilson Lima (União Brasil) reforça pré-campanha ao Senado associando sua imagem aos investimentos do festival, enquanto lideranças do PL (Partido Liberal) no Amazonas foram vistas em clima de proximidade com Roberto Cidade, repercutindo por contrastar com a cobrança de fidelidade partidária feita pela pré-candidata ao governo Maria do Carmo Seffair (PL).
Ficaram de fora o ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante), com conjuntivite viral, e o prefeito Renato Junior (Avante), que permanece em Manaus.
