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Dia a Dia.

Moradores relatam medo com a reativação da Cadeia Pública no Centro de Manaus

5 de janeiro de 2017 Dia a Dia.
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Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa foi desativada em outubro e reativada nesta semana (Fotos: Rosiene Carvalho)
Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa foi desativada em outubro e reativada nesta semana (Fotos: Rosiene Carvalho)

Da Redação

Moradores do Largo do Mestre Chico, comunidade que fica a poucos metros do muro da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, respiraram aliviados por três meses com a desativação da unidade e a possibilidade de o local se transformar em centro cultural. Na última segunda-feira, 2, o medo voltou à vizinhança com a transferência, até a manhã desta quarta-feira, 4, de 275 detentos que estão sob ameaça de morte e corriam risco nas unidades prisionais que foram palco de rebelião e 60 mortes nos dias 1° e 2 de janeiro.

Uma moradora do local que pediu para não ser identificada e que mora há 40 anos no Mestre Chico com o filho disse que se acostumou a ver as fugas, a entrada de pacotes para o presídio pelos muros sem se “intrometer no assunto”.

“A gente via (jogarem pacotes para dentro do presídio). Eu até entrava [dentro de casa] para não ver. Aí, depois que jogavam e até usavam a droga, a polícia vinha aqui e queria que a gente dissesse quem era. Eu não! Por quê não vigiavam direito?”, relatou a moradora.

O vendedor ambulante Rosinaldo Oliveira, 42, disse que não se sente inseguro com a transferência de presos para unidades. Ele afirmou que as fugas e rebeliões na Cadeia Pública nunca tiveram como consequência prejuízos para a comunidade. “O que vamos fazer. Os bandidos estão soltos na rua e aqui é uma cadeia. Precisa ser usada. Para mim, tanto faz. Nunca mexeram com a gente”, afirmou Rosinaldo.

Uma outra dona de casa, aparentando 45 anos e que não quis dar nenhuma informação pessoal, disse que de tudo o que mais a incomodava eram os barulhos nas noites de rebelião. “É ruim, né, você acordar de madrugada com o barulho de uma explosão”, disse.

Uma vendedora ambulante da área, que pediu para não ser identificada, contou que montou uma barraca de comida no local após a desativação da Cadeia Pública e que, após a saída dos presos, as pessoas viviam com tranquilidade e usavam a quadra próxima ao muro da Vidal até 3h da madrugada. Ela disse que é das vendas com a barraca que sustenta sua casa. “Ontem [segunda-feira, dia da transferência], já foi diferente. Dez horas da noite, todo mundo mudou a rotina. Ninguém subiu mais. Quem disser que não, é mentira”, disse.

Dois meninos de dez anos, que moram no Mestre Chico e costumavam jogar bola na quadra que fica atrás da Vidal Pessoa observavam na tarde da terça-feira, 3, sem entrar no local, a movimentação de policiais militares na parte superior do muro. Disseram que a movimentação no presídio não causava medo neles e relataram memórias da última rebelião que viram no local antes da desativação do prédio, em outubro do ano passado. Um deles afirmou que sonhava em ser policial militar.

“Semana passada, um colega meu chutou minha bola, que ganhei no Natal, lá para dentro. Os presos devem estar brincando com ela agora”, disse um deles.

Uma mulher aguadava na tarde desta terça-feira, 3, acompanhada pela filha, a chance de entregar roupas limpas e material de higiene para um detento. Preferiu não revelar o nome e nem dar detalhes de seu parentesco com o mesmo. Disse apenas que estava aliviada por saber que ele estava vivo e que naquele momento não estava preocupada com as condições da Cadeia Pública e a forma como os presos estavam sendo abrigados. “Melhor está aí do que estar morto”, disse.

Vidal Pessoa

A Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa foi inaugurada em 9 de março de 1907. Passou a abrigar apenas presos em regime provisório em 1999, quando o Compaj foi inaugurado.

Após a desativação, o prédio foi entregue à SEC (Secretaria de Estado de Cultura) para restauração e transformação do espaço, que tem 109 anos, num museu.

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Assuntos Amazonas, Compaj, Rebelião
administrador 5 de janeiro de 2017
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