
Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – Moradores de Pauini (a 924 quilômetros de Manaus) reclamam da fumaça expelida por uma usina de asfalto no bairro Nova Esperança. Eles se queixam de problemas de saúde e relatam ter dificuldades para permanecer em casa enquanto o equipamento funciona. A situação, segundo moradores ouvidos pelo ATUAL, ocorre há três dias.
A usina pertence à empresa Cotrap Construtora e Transportadora Pioneiro, contratada para executar obra de recuperação da pista de pouso do município de Pauini.
Deuzenir Gomes Lopes, de 31 anos, servidor público e líder comunitário do bairro, afirma que desde a instalação da usina os moradores sofrem com o transtorno. “No primeiro dia a gente teve que ficar quase 7h sem energia devido estarem fazendo a manutenção. A Amazonas Energia não informou sobre o desligamento no nosso bairro. O primeiro dia foi isso. A gente ficou da manhã até algumas horas da tarde sem energia”, relatou.
Quando o equipamento foi ligado, Deuzenir Lopes conta que foi preciso sair de casa. “O bairro todo fica a aproximadamente a uns 20 ou 25 metros da usina. O bairro ficou que a gente não enxergava quase nada na nossa frente a um metro devido à fumaça preta que invadiu a comunidade”, disse. Segundo ele, a usina funciona das 9h até o término dos trabalhos no dia.
O líder comunitário afirma que a situação é mais difícil para quem tem crianças em casa. “Eu tenho uma menina de sete meses e sou obrigado a levar ela lá para a casa da minha mãe para ela não inalar aquele tipo de fumaça”.
Segundo Deuzenir Lopes, a situação piora devido a um surto de gripe. “Tivemos que sair de casa, sendo que o nosso município está sofrendo por uma síndrome gripal e está prejudicando muita gente que estava com esses sintomas, complicando mais ainda. Muitos moradores tiveram que ir para o hospital devido falta de ar”, afirmou.
De acordo com Deuzenir, não houve comunicado sobre o funcionamento da usina. “É uma coisa muito irresponsável da parte deles não comunicar a gente e não explicar a situação que eles pretendiam fazer, o planejamento de trabalho deles”, criticou.
Contrato municipal

Consultada pelo ATUAL, a Seinfra (Secretaria de Infraestrutura) do Governo do Amazonas informou em nota que a obra de recuperação da pista de pouso do município corresponde a um convênio, licitado e contratado pela Prefeitura Municipal de Pauini, tendo como empresa vencedora a Cotrap Construtora e Transportadora Pioneiro.
“Como órgão fiscalizador, sabemos que ainda não foi iniciado o serviço de pavimentação e que a usina recém-chegada ao município foi ligada apenas para fazer um teste funcional. Por se tratar de um convênio, maiores esclarecimentos devem ser solicitados à Prefeitura de Pauini, responsável pela contratação da empresa”, disse a pasta.
De acordo com a Seinfra, o convênio é no valor de R$ 9,678 milhões, e até o momento foi repassado à Prefeitura de Pauini duas parcelas, sendo a primeira de R$ 44,1 mil e a segunda parcela no valor de R$ 5,891 milhões totalizando R$ 5,935 milhões.
O ATUAL entrou em contato com o prefeito de Pauini, Renato Afonso (PSD), que não respondeu a reportagem.
Falha no filtro
O ATUAL também procurou a empresa Cotrap Construtora. Por e-mail, respondeu que o que ocorreu em Pauini foi uma emissão de fumaça acima do normal no momento de ajuste da usina, ocorrido por um problema no filtro de mangas que deixou de funcionar devido a falha mecânica.
A Cotrap informou que a usina foi paralisada assim que o problema foi detectado. “A empresa já está tomando as providências para que o reparo seja efetuado, de forma a não causar transtornos à população. A previsão de funcionamento da usina é de sessenta dias de trabalho, ou seja, sem chuva. O equipamento normalmente não gera fumaça significativa, e somente retornará ao serviço quando estiver em perfeito funcionamento”, diz em nota.
Outro problema

O líder comunitário Deuzenir Lopes relata ainda que os moradores também lidam com a ausência de ruas asfaltadas na cidade. “Vai fazer agora um ano que a prefeitura não faz uma limpeza na comunidade, as ruas do bairro estão intrafegáveis. Você só pode andar mesmo se for a pé, de bicicleta ou de moto. E tem que ter muito cuidado para não cair. São animais peçonhentos, todo dia matam uma cobra na comunidade, o mato alto na rua só falta entrar nas nossas residências, coleta de lixo que não tem”, reclama.

Ele afirma que na chuva a situação piora. “Quando chove a gente não pode nem sair de casa, o lamaçal está empatando”, disse. “Caso seja necessidade de uma ambulância, muitas vezes o paciente pode chegar até a ir à óbito porque a ambulância não consegue entrar em várias ruas”.


