

Por Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), aposta que a maior parte dos integrantes de seu partido apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O candidato do PSD é o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o vice é o presidente da sigla, Gilberto Kassab. A chapa ainda não conseguiu despontar nas pesquisas eleitorais como uma alternativa à polarização representada pelo lulismo e o bolsonarismo.
“Não posso falar por um partido tão grande quanto esse, mas posso falar sobre o sentimento da maioria do partido. Eu posso te afirmar que a maior parte sabe da importância da continuidade do presidente Lula. Com todo respeito à candidatura do governador Caiado, que tem sua história, mas o partido, no caso de segundo turno entre Flávio e Lula, pensará no Brasil”, declarou Silveira em entrevista exclusiva ao Estadão nesta segunda-feira (10).
Ele citou como exemplo os candidatos Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro; Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe, que apoiam Lula já no primeiro turno.
Para o ministro, uma eventual vitória do petista garantirá estabilidade ao Brasil diante de cenário internacional conturbado. Já a eleição de Flávio, sugere Silveira, poderia trazer “instabilidade institucional”.
“É uma grande preocupação que as instituições sejam preservadas, porque a gente discordar de uma pessoa, de duas ou de três, é uma coisa. A gente destruir as instituições, no cenário internacional [atual], nós vamos nos perder em uma bancarrota econômica e social”, afirmou o chefe da pasta de Minas e Energia, sem citar nominalmente o pré-candidato do PL.
“O presidente Lula é alguém extremamente experimentado. […] Eu acredito na lucidez do povo brasileiro e que ninguém em sã consciência vai querer instabilidade institucional nesse País”, acrescentou ele.
Questionado se o governo Donald Trump pode interferir nas eleições brasileiras, o ministro respondeu que os Estados Unidos “já está interferindo”, mas indiretamente. “Com as taxas, com a verbalização do secretário de Estado [Marco Rubio]. Mas assim, interferência direta não acredito. O Brasil é uma democracia tanto quanto os Estados Unidos”, declarou.
Mineiro, Silveira foi o coordenador da campanha de Lula no Estado em 2022 e voltará a ajudar o petista no pleito deste ano.
O ministro minimizou a dificuldade do presidente em fechar um palanque em Minas – o posto foi recusado pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB) e depois pela ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Lula, então, lançou o deputado federal Patrus Ananias (PT) como candidato.
Silveira aposta em um bom desempenho de Patrus, mas acredita que, mesmo que isso não ocorra, Lula vencerá no Estado porque o eleitor mineiro não “verticaliza” o voto – não define o voto para presidente a partir do voto para governador e vice-versa.
Na história recente, houve um descasamento nas duas primeiras eleições de Lula, quando o petista saiu vencedor em Minas ao mesmo tempo em que o opositor Aécio Neves (PSDB) foi eleito governador. O fenômeno se repetiu com Dilma Rousseff (PT) e Antonio Anastasia, então no PSDB, em 2010; e em 2022, com a eleição de Romeu Zema (Novo) e a vitória de Lula.
O ministro terminou a entrevista com uma crítica a Zema, adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto. “Outro dia eu vi na rede social ele juntando as coisas dele pra se mudar para São Paulo. Belo Horizonte agradece”, finalizou Alexandre Silveira.
