O Amazonas Atual utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.
Confirmo
AMAZONAS ATUAL
Aa
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Aa
AMAZONAS ATUAL
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
Pesquisar
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Siga-nos
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
© 2022 Amazonas Atual
Fatima Guedes

Mensageira de ‘bem-viver’

4 de fevereiro de 2024 Fatima Guedes
Compartilhar

Arara Gaia

O “bem-viver” é um saber viver e um saber conviver: com os outros, com a comunidade, com a divindade, com a Mãe Terra, com suas energias presentes nas montanhas, nas águas, nas florestas, no sol, na lua, no fogo e em cada Ser.
(Neide Regina, Entre xales, cachimbos, mulheres e xamãs. 2016)

Era 30 de junho de 2021. A covid-19 contaminava o Planeta e denunciava a fragilidade do sistema desenvolvimentista, a inutilidade de poderes, de bens materiais no enfrentamento a virulências devastadoras fruto de barbáries à Mãe Terra. Eu e meu companheiro, Floriano Lins, apoiados nas sabedorias popular/tradicionais, passo a passo, superávamos as sequelas virais, enquanto vislumbrávamos redirecionamentos de nossa jornada político militante até então em recesso.  

Em situações dessa natureza, o diálogo com a Sabedoria Cósmica sempre nos traz respostas “inéditas e viáveis”*. E então?… Que rumos seguir?… A situação nos exigia recolhimento. A nebulosidade sobre perspectivas ativistas interventivas opacizava horizontes e esperançamentos. Até que a resposta chega em forma de desafio. Naquela manhã, um agricultor do interior de Parintins/AM, nos surpreende com uma caixa de papelão, tamanho médio, com furos variados: ali, diante de nossos olhos perplexos, um filhote de Arara Vermelha (Ara chloropterus).

A princípio, relutamos acolhê-la. Esbarravam limitações de saúde, exigências da legislação ambiental (Lei 14.064/2020), além da falta de experiências para os devidos cuidados e respectiva garantia à sobrevivência digna daquele ser que pedia socorro.

Conforme relatos do agricultor, a bebê fora encontrada, dia 22 de abril, num roçado, sem penas, muito debilitada: provavelmente ação de algum predador. O agricultor alegava impossibilidades de continuar assumindo os cuidados para com o filhote, por conta de viagem para cuidar da própria saúde também abalada pelo vírus.

Arara Gaia

Lembrou-se de nós, considerando a agrofloresta urbana onde moramos e o jeito respeitoso de nossas relações com os biomas e respectivas espécies.

Concentramo-nos por uns momentos naquele vulnerável ser, tentando entender o “recado cósmico” daquele bebê até nós: o volume de violências às vidas selvagens; a insensibilidade dos ditos racionais e até mesmo o silêncio de determinadas instituições…  Sem vislumbrar outras saídas, assumimos o desafio.

Aquela vida precisava de um nome. E agora?… Após várias problematizações sobre a realidade biodiversa, concluímos: tudo na vida tem um sentido. Sentimos as vibrações da “Mãe Terra, Gaia, a Deusa Primordial”*, provocando-nos acolher aquele ser como uma mensageira dos apelos de todas as vidas selvagens violentadas, ameaçadas de extinção. Daí, o “Cóio das Utopias”* a consagrou como Gaia – “Mensageira de Bem-Viver”.  Coincidência ou não, o agricultor, intermediário entre a Deusa Primordial e nós, relatou que Gaia fora encontrada dia 22 de abril, justo no Dia Internacional da Terra, data em que a humanidade é convidada a orar pela paz e pelos cuidados com os ambientes naturais.

Durante os primeiros meses, intensificamos os cuidados: da alimentação à proteção a predadores e depredadores (considerados os mais cruéis!).  

Em novembro daquele ano, Gaia ensaia o primeiro voo sobre a florestinha do Bairro Tonzinho Saunier. Grande aflição e surpresa geral na área. Aproveitamos para construir diálogos sensibilizantes e, assim, a cada voo alto ou raso, Gaia conquistava o respeito dos moradores do bairro, tornando-se, assim, referência de vida selvagem livre e autônoma.

Houve momentos em que Gaia saía pela manhã e não voltava ao poleiro. Mobilizações nas redes sociais intensificavam-se. Quando menos se esperava, ouvíamos seus acordes quebrando silêncios, despertando valores de cuidados, ritmando acolhimento nas folhagens das árvores. Era só festa na agroflorestinha!

Em sintonia com a segurança de Gaia, o ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente, Alzenilson Santos de Aquino, o Zico, mestre em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia, somara com nossos compromissos ambientais e agilizou forças na própria Secretária para protegê-la de possíveis ameaças ao direito de viver e voar com autonomia e liberdade. 

A jornada de Gaia sob nossos cuidados caminha há três anos. A cada experiência, grandes aprendizados: canta com a chuva, relaxa sob carícias musicais, corre atrás de bolas com as crianças do bairro, acompanha trilhas matinais na área da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), assiste do alto de um “taperebazeiro”* o futebol de jovens da periferia e, quando nervosa, repete as lições aprendidas durante os jogos: póóórra! krrááálho!

Também bota moral sobre a cachorrada: Paaara!

Durante a última campanha eleitoral à presidência da república, em fortalecimento da democracia, logo ao nascer do sol, sobre os galhos da “embaubeira”*, anunciava em alto e bom som a utopia de um outro Brasil possível: Lulaaa!… Lulaaa!…

Com frequência, moradores do bairro postam fotos, mensagens amorosas, quando de sua visita a seus terrenos. Em cada mensagem, anúncios de carinho, proteção e respeito.

Vislumbrando possibilidades de voos legitimamente libertários, final de 2023, proporcionamos a Gaia ultrapassar os limites do bairro Tonzinho Saunier, adjacências e alcançar novos céus, novas áreas de floresta nativa, encontrar parcerias e seguir sua história, conforme os anseios de sua legítima natureza. Nessa busca, descobrimos um espaço digno e acolhedor a diversidades indistintas de seres da floresta, na região do Parananema, área suburbana de Parintins: chácara “Bom Princípio”, do casal Gil Gonçalves e Rosana Ferreira Gonçalves (funcionária da CEF).

O encontro entre Gaia e Rosana foi surpreendente e emocionante: Gaia entregou-se ao acolhimento e interagiu sem traumas: até passeou no ombro de Rosana. O fato chamou atenção, tendo em vista que Gaia sempre se mantém arredia com estranhos. A aventura, porém, durou pouco. No quarto dia, Gaia decide voltar ao antigo lar e busca trilhas adversas. Foi capturada sob intenções de comercialização. Após intensa campanha de resgate nas redes sociais e televisão, a SEDEMA (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) interveio e trouxe Gaia ao lar e ao colo com os quais ainda mantêm vínculos.

Amanhã é outro dia… Esperançamos que Gaia, com autonomia e segurança, crie as próprias trilhas e defina o Cóio das Utopias e a Chácara da Rosana territórios de apoio para continuar espalhando bem-viver em terras Parintintin. No mais, Gaia é livre, autônoma, decide os próprios rumos e temos certeza: resiste sobre a proteção da ”Deusa Primordial” e, conforme Leonardo Boff, “em tudo há um propósito no universo”. Logo, reafirmamos: Gaia não chegou até nós por acaso.

Segundo pesquisas, a espécie Ara chloropterus mantém lealdade por toda a vida à parceria escolhida e/ou aos que a acolhem, em casos de adoção, cultivando, porém, a natural androginia.

De volta ao lar, aos poucos, o “Pássaro de Fogo” (assim chamada por amigos que acompanham seus desafios), retoma os rituais experienciados no bairro Tonzinho Saunier: celebração às chuvas, plateia no campinho de futebol, brincadeira com as crianças, sintonia com músicas diversas, acompanha trilhas e, vez por outra, um palavrãozinho…  

Gaia é a autêntica liberdade manifestada nas variações de voos e falares. É símbolo de resistência, instrumento de sensibilização, de educação ambiental e mais, de reinvenção de mundos dignos para biomas e respectivos habitantes.

Há muito a dizer sobre Gaia… Trouxemos apenas gotículas dos mistérios de um ser vulnerável e ameaçado… Em nossas utopias materializamos o encontro de Gaia com a parceria exata à sua natureza selvagem e o fortalecimento comunitário da espécie. Também esperançamos: cada olhar sobre ela desperte consciências e aprendizados sobre o direito à vida com dignidade a todos os seres que se abrigam no ventre de Gaia, a Mãe Terra: todos interligados ao “cordão umbilical energético” – célula mãe da tessitura universal.

Falares da Casa

  • Bem-Viver: Bem-viver significa Sumak = plenitude; Kawsay = viver, dos falares quíchua, idioma tradicional dos Andes. É usada como referência ao modelo de desenvolvimento que se intenta aplicar no Equador, em longo prazo, e implica um conjunto organizado, sustentável e dinâmico dos sistemas econômicos, políticos, socioculturais e ambientais. A constituição do Equador, (2008), reconhece o direito da população viver num ambiente são e, ecologicamente, equilibrado que assegure sustentabilidade e o bom-viver, sumak kawsay.
  • Cóio das Utopias: Agrofloresta situada no Bairro Tonzinho Saunier, área suburbana de Parintins/AM.
  • Cordão umbilical energético: Mirella Faur (O Anuário da Grande Mãe)
  • Embaubeira: (Cecropia)
  • Inéditas e viáveis: Conceito Freireano. “A história, enquanto tempo de possibilidades, não tem rumo predefinido, mas se movimenta entre permanências e rupturas”.(Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 2002).
  • Mãe Terra, Gaia, a Deusa Primordial: Mirella Faur (O Anuário da Grande Mãe)
  • Taperebazeiro: (Spondias mombin L.)

Fátima Guedesé educadora popular e pesquisadora de conhecimentos tradicionais da Amazônia. Uma das fundadoras da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (ANEPS). Autora das obras literárias, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage e Organizadora do Dicionário - Falares Cabocos.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

Notícias relacionadas

Festival de Parintins encerra três noites com vitória do Boi Caprichoso

Fogos de artifício são usados para afastar urubus no aeroporto de Parintins

Lancha vinda de Parintins para Manaus fica à deriva no Rio Madeira

Homem prende a perna em rampa de barco e é resgatado por bombeiros em Parintins

Políticos do Amazonas marcam presença no Festival de Parintins

Assuntos arara vermelha, Gaia, natureza, Parintins
Valmir Lima 4 de fevereiro de 2024
Compartilhe
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Copy Link Print
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Festival de Parintins, Bumbódromo
Especial Publicitário

Festival de Parintins encerra três noites com vitória do Boi Caprichoso

1 de julho de 2026
Dia a Dia

Fogos de artifício são usados para afastar urubus no aeroporto de Parintins

30 de junho de 2026
Lancha (à direita) foi rebocada para reparo em mangueira da bomba de combustível (Imagem: WhatApp/Reprodução)
Dia a Dia

Lancha vinda de Parintins para Manaus fica à deriva no Rio Madeira

29 de junho de 2026
Os militares estabilizaram a estrutura da embarcação e realizaram a remoção segura da vítima (Foto: WhatsApp/Reprodução)
Dia a Dia

Homem prende a perna em rampa de barco e é resgatado por bombeiros em Parintins

28 de junho de 2026

@ Amazonas Atual

  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos

Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?