
Do ATUAL
MANAUS — A direção do Aeroporto Júlio Belém, em Parintins (município a 369 quilômetros de Manaus), usa fogos de artifício para afugentar aves, principalmente urubus, atraídos pelo aterro de resíduos sólidos localizado nas proximidades do terminal.
A medida faz parte da AISO (Análise de Impacto sobre a Segurança Operacional) e dos PESO (Procedimentos Específicos de Segurança Operacional), elaborados pelo operador do aeroporto para reduzir o risco de colisões entre aeronaves e animais.
Todos os anos, principalmente no fim de junho, o aeroporto recebe milhares de passageiros que viajam para Parintins para participar do Festival Folclórico.
O documento, que o ATUAL teve acesso, identifica o aterro municipal como um dos principais focos de atração da fauna na Área de Segurança Aeroportuária.
Segundo a análise, o lixão fica a aproximadamente 3 quilômetros da cabeceira 24 da pista e atrai principalmente urubus-cabeça-preta, além de gaviões-carcará e pombos domésticos, devido à presença de resíduos domésticos, industriais e hospitalares.
O documento aponta que a colisão de aeronaves com aves pode ocasionar acidentes
graves.
Para reduzir esse risco, o operador informa que equipes realizam vistorias diárias no perímetro operacional e que, sempre que aves são identificadas empoleiradas em cercas, postes ou mourões, é feita a afugentação por meio de ruídos sonoros.
O método mais utilizado é a soltura de fogos de artifício, executada pela SCI (Seção Contra Incêndio). Durante o Festival Folclórico de Parintins, quando o movimento de aeronaves aumenta, o aeroporto contrata “fogueteiros” posicionados em pontos estratégicos da pista para realizar a dispersão coordenada da fauna, sob orientação da torre de controle.
Além das ações dentro do sítio aeroportuário, o plano prevê medidas voltadas ao aterro de resíduos. Entre elas estão a melhoria no tratamento dos resíduos sólidos, com o objetivo de reduzir a disponibilidade de alimento para aves necrófagas e, consequentemente, diminuir sua concentração nas proximidades do aeroporto.
O documento também prevê intervenções na infraestrutura do aeroporto. Uma das medidas é a construção e manutenção de muros e cercas para impedir a entrada de animais terrestres na área operacional.
Outra estratégia é o manejo da vegetação nas laterais da pista. O operador pretende manter a grama mais alta em determinados trechos para reduzir a presença de aves de pequeno porte, como quero-quero, bem-te-vi e andorinhas, além de dificultar o acesso desses animais ao local.
A análise aponta que o aeroporto está inserido em uma região de grande biodiversidade, cercada por rios, lagos, áreas alagadas e vegetação nativa, fatores que favorecem a presença constante de aves e outros animais.
O documento ressalta que a combinação entre essas características naturais e a proximidade do aterro exige monitoramento permanente para garantir a segurança das operações aéreas.
Segundo a AISO, as medidas seguem recomendações da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para o gerenciamento do risco da fauna e têm como objetivo reduzir a possibilidade de colisões entre aeronaves e animais durante pousos e decolagens.
