
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — A defesa do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, classificou como “medida desnecessária” o afastamento dele do cargo por 90 dias, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O advogado Fabrício Parente disse ao ATUAL que a permanência de Adail no cargo não causaria prejuízo às investigações e afirmou que a defesa adotará medidas com urgência.
“Por entendermos não existir qualquer prejuízo para as investigações a manutenção do prefeito no seu cargo, cremos se tratar de medida desnecessária e que será enfrentada com a urgência que o caso exige”, disse Parente.
O afastamento foi determinado na segunda-feira (14) no âmbito de um inquérito, que tramita em segredo de justiça, que investiga o prefeito e o filho dele, o deputado federal Adail Filho (MDB), por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
Também por ordem de Moraes, a PF (Polícia Federal) cumpriu nesta quarta-feira (16), em Manaus e em Coari, 29 mandados de busca e apreensão. A operação foi batizada de “Operação Dinastia do Lago”, em referência à permanência da família no poder há anos.
A PF informou que apura a possível atuação de organização criminosa em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à gestão municipal de Coari.
A investigação teve início após a apreensão de cerca de R$ 1,25 milhão em espécie, transportados pelos empresários amazonenses Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho em voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.
Em abril deste ano, ao determinar a abertura do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Federal havia identificado repasses financeiros feitos por empresas do trio a Adail Filho e Adail Pinheiro.
Ainda de acordo com Moraes, a investigação indicou que as empresas mantinham contratos firmados com o Município de Coari e “teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios”.
Moraes também mencionou a destinação de vultosos recursos públicos ao município, nos anos de 2024 e 2025, por meio de emendas parlamentares de autoria de Adail Filho.
Ao ATUAL, a defesa de Adail Filho e Adail Pinheiro afirmou que teve acesso à decisão, mas não irá comentar porque o inquérito tramita em sigilo. O advogado disse, no entanto, que “nada de ilícito foi praticado”.
“Adianto, por oportuno, que nada de ilícito foi praticado e que tudo será esclarecido no curso da investigação”, disse Parente.
