
Da Redação
MANAUS – Com 89,3% da população abastecida com água tratada, Manaus tem 87,7% dos habitantes sem coleta de esgoto sanitário, segundo o Painel Saneamento Brasil, do Instituto Trata Brasil (ITB). Os dados são de 2017, mas mostram o distanciamento entre o serviço de fornecimento de água e o tratamento dos esgotos domésticos. O esgoto não tratado equivale a 27.865,20 m³ diários.
A Agemam (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município) diz que o abastecimento de água tratada chega atualmente a 98% na capital e o serviço de esgoto a 19%. A distância entre um e outro é amazônica. Os índices foram apresentados no Instituto Superior Técnico da Universidade Lisboa, em Portugal, no Seminário Experiências de Regulação de Saneamento no Brasil, no dia 21 deste mês de outubro.
Segundo Fábio Alho, presidente da Agemam, o SES (Sistema de Esgotamento Sanitário) tem 570,3 mil metros de rede coletora, duas estações de pré-tratamento de esgoto, 87 estações de tratamento de esgoto, 57 estações elevatórias de esgoto, poços de visita, coletores, troncos e emissários, todos inseridos nas cinco Bacias de Esgotamento Sanitário (Educandos, São Raimundo, Gigante, Tarumã e Colônia).
Na Região Metropolitana de Manaus, que envolve 13 municípios, a parcela da população sem coleta de esgoto é de 88,9% e a população sem acesso à água tratada é de 19,5%. O esgoto não tratado equivale a 35.068,79 m³.
Em todo o Estado, conforme o Trata Brasil, 90,6% da população não têm coleta de esgoto. O esgoto tratado sobre a água consumida representa 29,4%, enquanto o esgoto não trato equivale a 60.655,96 m³.
Doenças
O Trata Brasil pesquisou também a relação entre ausência de coleta e tratamento de esgotos e a saúde. Em Manaus, as internações por doenças de veiculação hídrica foram 1.899 e as mortes 34 em 2017. A renda média das pessoas com saneamento é de R$ 2.562,75 e as que não tem saneamento é de R$ 1.078,23.
Na Região Metropolitana, as internações totais por doenças de veiculação hídrica foram 2.266 e as mortes, 34. A renda média de pessoas com saneamento é de R$ 2.339,74 e as que não tem é de R$ 869,90.
Considerando todo o Estado, as internações foram 4.262 e o número de mortes 40. A renda média de pessoas com saneamento básico no estado é de R$ 2.566,34, enquanto a das pessoas sem saneamento é de R$ 555,10. O Trata Brasil informa que o Painel pretende mostrar os impactos sociais, econômicos e ambientais da falta de coleta e tratamento de esgoto, bem como os benefícios quando os serviços chegam de forma apropriada.
A proposta é o Painel reunir indicadores dos 839 municípios com população acima de 50 mil habitantes, incluindo as 200 maiores cidades.
