
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – A Prefeitura de Manaus realizou no dia 9 deste mês de fevereiro de 2026 uma audiência pública para ouvir segmentos da sociedade civil a respeito de um Plano Municipal de Saneamento Básico, que inclui quatro eixos: tratamento de água, tratamento de esgoto, tratamento de resíduos sólidos (incluindo o lixo doméstico) e drenagem urbana.
A iniciativa inédita na capital amazonense pode tirar Manaus de uma situação crítica em relação, principalmente aos três últimos eixos, ou seja, esgotamento sanitário, resíduos e drenagem. A água tratada teve avanços significativos nos últimos anos, apesar de ainda haver um problema elevado de perda, o que encarece os serviços prestados pela concessionária e penaliza a população que honra seus compromissos e paga suas contas em dia.
As cidades brasileiras patinam há décadas, algumas com avanços tímidos no quesito saneamento básico, apesara das mudanças na legislação ao longo dos últimos anos, como o Estatuto do Saneamento Básico, regido pela Lei nº 11.445/2007 e atualizado pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020).
O marco legal estabelece diretrizes nacionais para água, esgoto, resíduos e drenagem, e tem o objetivo é universalizar o acesso até 2033 de 99% para água tratada e 90% para esgoto/coleta.
Manaus já alcançou a meta de 99% de cobertura de água tratada, mas o tratamento de esgoto precisa de investimentos robustos nos próximos sete anos, uma vez que alcançou 40% de cobertura no ano passado. Ou seja, o atleta ainda não chegou à metade do trajeto da corrida, e o prazo vai ficando cada ano mais apertado.
O Plano Municipal de Saneamento Básico de Manaus, cujo esboço foi concluído no fim de 2025, prevê investimentos acima de R$ 2 bilhões para garantir que os 90% de cobertura de esgoto sejam alcançados, com metas intermediárias como atingir 60% já em 2027.
Mas os esforços das autoridades e dos órgãos de controle serão insuficientes se não houver a contribuição da população, e uma política mais rígida de fiscalização e eventual punição para quem comete crime contra a cidade.
Exemplos de crimes são as lixeiras irregulares “criadas” por empresas e pessoas físicas nos canteiros centrais das principais avenidas de Manaus. A moda do momento é amontoar o lixo dos comércios ou residências nesses espaços, que deveriam abrigar jardins bem cuidados.
Esse lixo não apenas enfeia as vias públicos, mas se torna foco de doenças tanto para animais quanto para pessoas. O município precisa agir com firmeza para acabar com esse tipo de canalhice.
Nada mudará se não houver mudança de postura da população. A educação ambiental, que para muitos é uma tolice, precisa ser levada a sério por todos. Incluí-la no currículo escolar não basta; precisa estar em todos os momentos da vida da cidade: nos meios de comunicação, na publicidade institucional, nas salas de cinema, nos bares, nos parques, nas praias, nos balneários, nos shows de artistas locais, nacionais e internacionais.
Já passou do tempo de o brasileiro, mas especificamente a população de Manaus transformar a cidade em um lugar do qual todos possam se orgulhar e não sentir vergonha de conviver com o lixo, o esgoto a céu aberto e os alagamentos em dias de chuva.

