
Da Redação
MANAUS – Apesar de registrar prosperidade social entre 2000 e 2010, a Região Metropolitana de Manaus ainda é a segunda do país com maior índice de vulnerabilidade social, segundo o livro “Riqueza, Desigualdade e Pobreza no Brasil: Aspectos Socioeconômicos das Regiões Brasileiras”, lançado em Manaus no último dia 28 de setembro. Belém (PA) é a primeira.
De acordo com o estudo, em dez anos a classificação do IVS (Índice de Vulnerabilidade Social) da região metropolitana de Manaus foi de “muito alta” para “alta”, ou seja, a região se desenvolveu, mas com inúmeras deficiências, com destaque para os fracos investimentos em infraestrutura, como explica a professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Michele Lins Aracaty e Silva, organizadora da obra.
“Manaus concentra elevadíssimos indicadores de desemprego. Nós temos uma grande parte da população que não tem moradia. Então, um expressivo déficit populacional. Nós temos uma quantidade elevada de pessoas que dependem de programa de transferência de renda, como o Bolsa Família”, afirmou Aracaty.
Mobilidade
Ainda de acordo com a professora, também contribuem para essa classificação de alta vulnerabilidade questões relacionadas à infraestrutura, incluindo o tempo que uma pessoa demora para ir de casa para o trabalho.
“As pessoas demoram muito tempo para se deslocarem de casa para o trabalho devido aos engarrafamentos. Quando tem um acidente, por exemplo, trava a cidade toda. Então, a questão da mobilidade também está ligada a essa característica da vulnerabilidade social”, afirmou Aracaty.
A professora da Ufam afirma que há uma concentração de renda e riqueza mais evidente em Manaus e os outros municípios que compõem a região metropolitana não tem nenhum indicador de melhoria. “Nós temos uma condição melhor em Manaus. Nos demais municípios da região continua em condições de vulnerabilidade altíssima”, disse.

Para a pesquisadora Ana Beatriz Martins de Souza, autora do capítulo intitulado “Vulnerabilidade Social da População residente na Região Metropolitana de Manaus”, um dos fatores para essa concentração de renda na capital é a ausência de “conurbação de seus espaços urbanos e o baixo nível de integração entre os municípios que a compõe”.
“Esses fatores, não só produzem como também contribuem para a reprodução e intensificação da vulnerabilidade social, uma vez que dificulta o acesso a serviços básicos que implicam em uma baixa qualidade de vida dessa população, tornando-as mais vulneráveis”, afirma Souza.
Para a pesquisadora, considerando que a vulnerabilidade se caracteriza através da segregação socioeconômica ou territorial, uma das primeiras barreiras a ser superada é essa falta de integração entre os municípios da Região Metropolitana de Manaus.
“Por isso, faz-se necessário promover um plano de mobilidade urbana entre eles, com o objetivo de melhorar o deslocamento da população e o acesso a serviços básicos, como, redes de abastecimento de água, de serviços de esgotamento sanitário e coleta de lixo no território, diminuindo, dessa forma, a vulnerabilidade em termos de Infraestrutura Urbana”, afirma Souza.
Lançado pela editora Atena, o livro é fruto de trabalho das pesquisadoras Ana Beatriz de Souza, Francilene da Silva Franco, Jackelyne Evellyn Assunção, Laiza Eduarda da Silva e Taisa Morais Rolim. Todas são alunas do curso de Ciências Econômicas da Ufam.
A obra é dividida em cinco capítulos e pode ser lido no site da editora. Além do primeiro, que trata da Região Metropolitana de Manaus, o livro é composto pelos capítulos II – A Floresta Rica, População Pobre: Fome e Pobreza na Região Norte do Brasil; III – Pobreza e Vulnerabilidade Socioeconômica na Região Nordeste do Brasil; IV – Riqueza, Desigualdade e Pobreza no Brasil: O Caso da Região Centro-Oeste Brasileira; e V – Pobreza do Brasil: A Situação da Pobreza e Desigualdade nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil.
