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Política

Lula sobe o tom e critica a omissão de generais diante dos pedidos de golpe

10 de janeiro de 2023 Política
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Manifestação em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, em novembro de 2022 (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Manifestação em frente a quartel em Brasília, em novembro de 2022 (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL

MANAUS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom e reclamou da omissão dos generais e comandantes de quarteis que permitiram, por mais de 60 dias, a concentração de golpistas em frente às unidades militares sem tomar providências. Lula disse que os golpistas nunca tiveram pauta legítima e que nenhum general se moveu para impedir as ações, em todo o Brasil.

Lula responsabilizou o negacionismo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e a rede de mentiras montada por ele pela evolução e agravamento da situção.

A reclamação foi na noite desta segunda-feira (9), durante a reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, com os 27 governadores de estados e do Distrito Federal e presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Câmara e Senado Federal.

A ação de golpistas teve seu ápice no domingo (8), quando eles invadiram e depredaram os prédios do Palácio do Alvorada, Congresso Nacional e STF, com a conivência de membros da PM-DF (Polícia Militar do Distrito Federal).

Após os atos terroristas de domingo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu prazo de 24 horas para que os acampamentos em todo território nacional fossem desmontados.

“O que nós vimos ontem [domingo] foi uma coisa que já estava prevista. Isso tinha sido anunciado algum tempo atrás. Porque as pessoas que estavam nas ruas, na frente dos quarteis, não tinham pauta de reinvindicação”, afirmou Lula.

Lula cobrou a falta de atitude de generais e comandantes de quarteis para conter o avanço da onda golpista.

“Muita gente foi torturada por não concordar com o regime militar. E agora as pessoas estão livremente reivindicando golpe, na frente dos quarteis. Não foi feito nada por nenhum quartel. Nenhum general se moveu para dizer ‘não pode acontecer isso’, ‘é proibidio pedir isso’, ‘nós não vamos fazer isso’. Dava a impressão que tinha gente que gostava quando o povo estava clamando o golpe”.

“Já teve gente nesse país que foi preso e torturado, outros que morreram na cadeia, porque ousaram falar em derrubar um governo”, lembrou Lula, ao reclamar da falta de providências por parte de militares contra a tentativa de golpe ao seu terceiro governo.

O presidente atribuiu a origem dos problemas a seu antecessor. De acordo com Lula, o ex-presidente Bolsonaro manipulou seus seguidores com mentiras contra as poderes constituídos e o sistema eleitoral brasileiro, pelo qual Bolsonaro foi eleito presidente em 2018, após exercer sete mandatos consecutivos de deputado federal, sempre com uso da urna eletrônica.

“Quando a gente mente, depois a gente continua a mentir, para justificar a primeira mentira contada. Nenhum de vocês nunca duvidou da urna eletrônica”, disse Lula aos presentes.

Para exemplificar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, Lula usou o próprio exemplo. “Se pudesse roubar na urna eletrônica, o metalúrgico quase analfabeto não seria eleito três vezes presidente da República”.

A falta de liderança de Bolsonaro foi apontada por Lula como combustível para a propagação de ideias falsas entre os golpistas.

“Quando o presidente da República [Bolsonaro] saiu antecipadamente, sem me dar posse, seu vice fez um pronunciamento na televisão e eles [golpistas] passaram a atacar generais e passaram a atacar o vice, chamando ele [Mourão] de covarde, dizendo que tinha traído todo o movimento”.

Em referência ao resultado das eleições presidencias, em 30 de outubro do ano passado, Lula disse que a escolha da maioria precisa ser respeitada.

“O resultado eleitoral foi respeitado por uma grande parte da sociedade brasileira, mas uma parte dos perdedores não aceitou. Estão na frente dos quartéis, em quase todo o território nacional, reivindicando o quê? Reivindicando melhoria da qualidade de vida das pessoas? Reivindicando mais liberdade? Reivindicando aumento de salário? Reivindicando construção de habitação? Reinvindicando melhoria da produção agrícola do país? Não! Eles estavam reivindicando golpe. Era a única coisa que se ouvia falar. Eles estavam gritando por golpe, chamando por golpe”, reclamou.

Mais uma vez usando como exemplo sua trajetória política, Lula lembrou que é 0 “maior perdedor de eleições para presidente neste país”. “Tem ninguém que perdeu mais do que eu; mas também não tem ninguém que ganhou mais do que eu. E todas as vezes que eu perdi, aceitei”.

Surpresa

Lula disse que mesmo com todos esses elementos, os atos terroristas de domingo foram uma supresa.

“Os quarteis ficaram meses aturando as pessoas pedindo golpe. Na frente dos quarteis tinha banheiro químico, barraca, almoço, churrasco, como teve aqui em Brasília”, afirmou Lula.

“Nós não fizemos nada, até que eles fizeram. Fizeram aquilo que a gente não esperava. Depois do dia 1º de janeiro, o domingo mais democrático que esta capital acolheu, depois daquela grande festa democrática, todos nós fomos pegos de supresa”.

Lula disse que a polícia de Brasília foi negligente e por isso foi “obrigado a tomar uma atitude forte”, disse, para justificar a intervenção federal no sistema de Segurança Pública do Distrito Federal.

“Houve conivência explícita da polícia apoiando os manifestants. Soldados do Exército brasileiro conversando com agressores, como se fossem aliados”.

No dia dos ataques às sedes dos três poderes em Brasília, Lula estava em Araraquara (SP), para avaliar os danos causados pelas fortes chuvas na cidade e decidir que tipo de apoio o Governo Federal prestará.

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Assuntos acampamentos, Forças Armadas, generais, Golpistas, manchete
Redação 10 de janeiro de 2023
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