

Por Júlia Pestana, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou neste sábado (5) que, em 15 anos, seus governos e os da ex-presidente Dilma Rousseff fizeram na educação o equivalente ao que outros governos realizaram em cinco séculos.
Durante visita ao campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em São José do Rio Preto (SP), Lula afirmou ainda que, dos 58 institutos federais existentes no Estado de São Paulo, 40 foram feitos durante as gestões dele e de Dilma.
O presidente disse também que o governo pode acelerar a reforma da unidade para ampliar o número de estudantes. “A gente pode fazer essa reforma mais rápido. Podemos garantir, já no Enem de 2027, que muito mais gente esteja aqui”, afirmou. Segundo Lula, o campus poderá chegar a mais de 2 mil alunos.
O campus de São José do Rio Preto foi criado oficialmente em maio de 2025 e integra a expansão das universidades federais prevista no Novo PAC. A unidade ofertou 90 vagas pelo SiSU em 2026, distribuídas entre três cursos de graduação.
Lula também criticou o histórico do País na área. “Eu fico sempre pensando por que que a elite brasileira nunca levou a educação a sério nesse país”, disse. Em seguida, afirmou que não existe nenhum país que tenha conseguido se desenvolver sem antes investir em educação.
Ao defender investimentos em educação e cultura, o presidente afirmou que a ausência dessas políticas deixa a população mais sujeita a ser conduzida por terceiros. “Está tratando o povo como se fosse gado, como se fosse um rebanho”, disse.
Violência contra a mulher
Lula afirmou que o combate ao feminicídio será “muito pesado” no seu próximo governo, caso seja reeleito, e defendeu a prisão de homens que agridem mulheres. “Mulher quer fazer o que ela quiser, trabalhar onde quiser, morar com quem ela quiser, divertir como ela quiser. É esse o mundo das mulheres”, disse.
O presidente também vinculou a participação feminina à disputa eleitoral e afirmou esperar apoio das mulheres à sua candidatura e às candidaturas ao Senado de Marina Silva e Simone Tebet.
As declarações ocorreram durante comício no município de São José do Rio Preto (SP), ao lado do candidato a governador de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, antes da visita à UFSCar.
Inteligência artificial
O presidente da República também disse que o Brasil não quer depender da China ou dos Estados Unidos no desenvolvimento de inteligência artificial e defendeu uma tecnologia produzida em português. Ele citou o do gov.br e afirmou que 178 milhões de pessoas se conectam ao governo pela plataforma.
O petista vinculou esse avanço à estratégia de ampliar a infraestrutura tecnológica no País. Segundo ele, a aprovação do Redata pelo Senado abre possibilidade de atrair R$ 500 bilhões em investimentos para data centers no Brasil.
“Quem vier produzir aqui data center vai ter que produzir sua própria energia”, afirmou. Ele disse ainda que o objetivo é aproveitar a disponibilidade de energia barata no País para atrair novos projetos e ampliar a capacidade tecnológica brasileira.
Futuro e salário mínimo
Lula também afirmou que “pensar o futuro” passa por aumentar o salário mínimo acima da inflação e rebateu críticas do adversário Flávio Bolsonaro sobre o custo de vida no país. “Pensar no futuro é acabar com a fila do INSS. Pensar no futuro é ter o menor índice de desemprego na história desse país”, complementou Lula.
O petista afirmou que a inflação de alimentos foi de 56,17% nos quatro anos do governo anterior, ante 13,6% durante os quatro anos de sua gestão.
O IPCA, índice oficial de inflação do País, acumulava alta de 4,64% em 12 meses até junho de 2026. No mês, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, segundo o IBGE.
Lula também afirmou que não pretende entrar em uma disputa eleitoral baseada apenas em acusações. “Se a gente for entrar na briga política das mentiras, ficar acusando, a gente vai se igualar a eles”, disse.
As declarações ocorreram durante comício, ao lado do candidato a governador de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, e das candidatas ao Senado Federal pela chapa governista, Marina Silva e Simone Tebet.
