
Por Gabriel Hirabahasi e Renan Monteiro, do Estadão Conteúdo
TRÊS LAGOAS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (25), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, que parte do setor de agronegócio no Brasil refutou a ideia de ter uma fábrica de fertilizantes em território nacional. Ele participou da cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, empreendimento da Petrobras.
“Muita gente do agronegócio nunca se preocupou que tivéssemos fábrica de fertilizante”, disse Lula. Ele também ponderou que o Brasil está pagando “preços absurdos” de fertilizantes, tendo em vista o contexto de guerra entre Rússia e Ucrânia.
Outro argumento do presidente foi em relação ao impacto desses insumos na inflação de alimentos. “Brasileiro que vai comprar comida paga o preço da guerra por irresponsabilidade de muita gente”, afirmou.
Segundo o governo, o empreendimento da Petrobras seria estratégico porque, além de promover a produção nacional de fertilizantes, deve fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa do país, de acordo com as proposições.
Produção no país
Lula disse que o Brasil produzirá pelo menos 70% do fertilizante usado por agricultores no país. Essa estimativa foi feita durante cerimônia de anúncio da retomada de obras de fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS).
“Ainda sonho que a gente vai ter, se não 100%, acima de 70% de todo o fertilizante de que precisamos no País. Um País jamais será soberano se não for dono das coisas principais que ele produz”, afirmou.
Lula associou o assunto com o tema de defesa da soberania brasileira, que se tornou um dos predominantes nos discursos do presidente desde o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos no ano passado. “Pode ficar certo: esse País vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizante dos outros países. Apenas esperem”, declarou.
O presidente também usou seu discurso em Três Lagoas para falar sobre inteligência artificial e uso de redes sociais. Fez a fala que rotineiramente faz: de ressalvas quanto aos avanços da IA e de valorização do que chama de “inteligência humana”. Chamou a IA de “monstro” e fez uma previsão quase fatalista, fazendo referência a filmes de ficção científica em que máquinas se tornam tão avançadas que dominam os seres humanos.
“A inteligência artificial é um monstro que vai fugir do conhecimento do ser humano e vai se autorregular. Preparem-se, você já cansou de ver filme de ficção. Não está longe o dia em que a inteligência artificial não vai precisar mais do ser humano. E aí é o ser humano perdendo o controle daquilo que criou. Eu prefiro lidar com a inteligência humana. A gente não pode virar algoritmo”, disse.
Petrobras
Lula disse que o governo não tem a função de ingerência na Petrobras, embora tenha um papel de “discutir estrategicamente” as prioridades da companhia.
“O governo não tem ingerência na Petrobras. O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil. Vira e mexe, aparece um governante nesse país que quer vender a Petrobras, que faz denúncia e acusa ser uma empresa deficitária. Quando eles percebem que não vão poder vender a Petrobras, eles começam a vender pedaço”, declarou.
