
Do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira (13) que “não tem medo de briga”, mas antes quer negociar com os Estados Unidos. “O meu time não tem medo de brigar. Se for possível brigar, a gente vai brigar. Mas, antes de brigar, a gente quer negociar. A gente quer vender, quer comprar”, disse em cerimônia de assinatura da medida provisória que prevê ações para mitigar os impactos econômicos do “tarifaço” de 50% estabelecido pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Lula afirmou: “Meu time de negociador está aqui. Primeira linha. Nem o Real Madrid, nem o Barcelona, nem o Paris Saint-Germain chegam perto do meu time de negociação. Agora é preciso contar para o outro lado que nós não estamos anunciando reciprocidade. Nós não queremos, neste primeiro momento, saber nada, nada que justifique, sabe, piorar a nossa relação. Nesse momento, nós estamos tentando aproximar a relação”.
Acordos comerciais
Lula disse que o governo alcançou 400 novos acordos comerciais em dois anos e meio. Durante cerimônia de assinatura da ‘Medida Provisória Brasil Soberano’, com ações à sobretaxa norte-americana, Lula ainda afirmou que esse é o momento de procurar novos parceiros.
O presidente repetiu que se o ataque ao Capitólio nos EUA em janeiro de 2021 tivesse acontecido no Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria sendo julgado. “Eu diria isso ao presidente Trump, se tivesse acontecido no Brasil o que aconteceu no Capitólio, ele estaria sendo julgado aqui também”, afirmou.
“A soberania nossa é intocável, ninguém dê palpite no que temos que fazer”, disse o presidente brasileiro, que disse que Trump tem uma “necessidade muito grande de destruir o multilateralismo que permitiu que mundo tivesse comércio mais equilibrado”.
Os EUA impuseram sanções ao Brasil como forma de pressionar pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. “Estamos fazendo aquilo que é feito somente em países democráticos, julgando alguém com presunção de inocência”, disse.
Aposta dos EUA
Para Lula, o tarifaço de Trump é uma “aposta que o governo dos Estados Unidos está fazendo e que pode não dar certo para eles”. O Brasil está procurando alternativas “para que os EUA aprendam que democracia e respeito comercial e multilateralismo vale para nós e deve valer para eles”.
O presidente disse que o presidente da China, Xi Jinping, “assusta” os EUA porque tem balança comercial de US$ 160 bilhões com o Brasil. Disse também que “o Brasil, a gente vai continuar assustando muita gente” porque vai continuar melhorando sua produção.
Em relação ao diálogo com os EUA para tentar reverter a sobretaxa de 50%, Lula repetiu que “quem não quer negociar são eles, quem está com bravata são eles”.
“Eu já falei com Índia, China, Rússia, vou falar com a França, com a Alemanha. Eu vou falar com todo mundo. Eles se dão conta do que está acontecendo no mundo e, junto aos Brics, nós vamos fazer uma teleconferência que está sendo articulada para a gente discutir, dentro dos Brics, o que podemos fazer para melhorar a nossa relação entre todos os países que foram acertados”, disse Lula.
(Reportagem: Lavínia Kaucz, Gabriel de Sousa, Giordanna Neves e Flávia Said)
