
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi
SERGIPE – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que é preciso que a disputa eleitoral e a condução do governo não sejam confundidos, após o senador oposicionista Laércio Oliveira (PP-SE) ser vaiado durante um evento da Petrobras, em Laranjeiras (SE). De acordo com o presidente, é preciso ter contato com “amigos, meio amigos e inimigos” para aprovar projetos de interesse do Executivo.
“É preciso não confundir a disputa eleitoral com governança. Na governança, eu preciso dos amigos, dos meio amigos e dos inimigos. Quando o projeto é de interesse brasileiro, eu não tenho vergonha de conversar com políticos”, disse.
O presidente afirmou também que a política atual fez com que adversários se tornassem inimigos. “As pessoas não se toleram”. Ainda sobre as vaias sofridas por Laércio, Lula disse que só é candidato à Presidência a partir do dia 3 de julho.
“Eu só sou candidato a Presidente da República depois do dia 3 de julho. Até o dia 3 de julho eu sou o Presidente da República e vou viajar o Brasil entregando todas as obras que nós fizemos”, disse Lula.
Laércio fez uma cobrança pública a Lula após ser vaiado pelo público na cerimônia de anúncio de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras, em Laranjeiras (SE). O senador disse que o presidente tem que pedir respeito à “companheirada” e que o presidente corre o risco de não ter senadores no palanque de eventos por conta da reação da plateia.
“Faço política há 15 anos e nunca fui vaiado na minha vida. (.. ) Tem que falar com a companheirada que tem que respeitar, as ações são de Estado, as ações não são partidárias. Eu vim aqui em respeito ao senhor, a minha função aqui é institucional. Nós temos posições políticas diferentes, mas a gente não vai cessar o diálogo nunca”, afirmou Laércio Oliveira.
Laércio Oliveira, que é próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e um apoiador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, recebeu vaias assim que teve o nome anunciado pelo mestre de cerimônias do evento. Como em outras ocasiões, Lula pegou o microfone e pediu respeito ao público, cessando as manifestações.
“A gente não está aqui em um ato eleitoral ou partidário, isso aqui é um ato da Petrobras, que é muito significativo. As pessoas que estão aqui não vieram para cá de oferecidas, elas foram convidadas pela Petrobras e pelo governo para estar aqui. Então, eu gostaria que vocês recebessem as pessoas bem”, disse Lula.
Jorge Messias
Lula anunciou que vai enviar novamente ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira vez que Lula falou sobre o assunto e tornou pública uma discussão que até então vinha acontecendo apenas nos bastidores.
Lula falava com os presentes sobre a bem-sucedida relação do governo federal com o Congresso. Citou a recente aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 como um dos exemplos do diálogo do Palácio do Planalto com o Legislativo.
“Aprovamos 99% das coisas que mandamos para o Congresso, como o fim da escala 6×1 agora, que teve 460 votos. Isso é só conversar É muita conversa, muito diálogo, é assim que a gente faz política”, afirmou o presidente.
“Eu perdi a indicação do meu ministro da Suprema Corte e fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque é um dos melhores advogados do País. Não foi derrotado porque tem alguma ficha suja na vida dele. É um dos homens mais íntegros desse País. Foi derrotado por uma questão simplesmente política”, acrescentou.
“E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez. E vou mandar por respeito à função presidencial. Sou eu que indico. O Senado pode derrotar alguém se ele não tiver competência jurídica. O Senado que diga: Não vou votar em você porque você é um advogado mequetrefe”, alegou o presidente.
Lula não falou quando fará a nova indicação de Messias. Foi aplaudido pelos presentes quando anunciou sua intenção de insistir no nome de seu advogado-geral da União para o Supremo Tribunal Federal. “O que não pode é derrotar por derrotar. Não tem explicação. Senão, a gente perde a civilidade nesse País, o direito de convivência democrática na adversidade, que é o que garante a democracia”, argumentou.
Um ato da Mesa Diretora do Senado de 2010, no entanto, dificulta essa tentativa do presidente da República. O ato afirma que “é vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.
A sessão legislativa equivale ao ano de trabalho do Congresso, o que significa que estaria proibida a análise de uma nova indicação de Messias neste ano.
