
Por Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse, em entrevista ao Canal Livre, da Bandeirantes, divulgada domingo (7), que o governo deveria ter formado uma “mesa da frente ampla” que apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após a eleição de 2022, com o intuito de dar “uma cara da frente ampla”.
“(Nas eleições) O governo conseguiu um diálogo com Congresso e forças políticas. O que não aconteceu (depois das eleições)? Devíamos ter constituído uma mesa da frente ampla, com personalidades, com endereço, com posições de apoio ao governo, de propostas e críticas. Com uma cara da frente ampla. Como os partidos têm”, disse o ex-ministro.
Dirceu disse que pretende reorganizar sua vida nos próximos meses antes de decidir seu futuro político. Ele afirmou que teria sido preso no âmbito da Operação Lava Jato para que fizesse uma delação premiada.
“Tenho que reorganizar a minha vida. À medida em que vou sendo absolvido. Fui preso quatro vezes, não me deixavam solto, porque queriam que eu fizesse delação. Eu escrevi dois livros de memórias, o segundo que devo publicar até março. Procurei ler e reler clássicos brasileiros”, afirmou o ex-ministro, citando que ainda “há uma pendência” na Justiça.
“A única razão para me prender era para denunciar o Lula. Está na Vaza Jato as conversas. ‘Arruma um processo aí, denuncia a filha dele que ele faz delação. Ele vai morrer na prisão. Agora vai fazer delação quando denunciarmos a filha dele’. O (Antonio) Palocci é outra história que não vou entrar aqui porque não é do meu feitio”, declarou.
Questionado se jantou com o presidente Lula nos últimos dias, negou. “Não falo com o presidente pessoalmente desde que ele tomou posse. Eu falo com os ministros, com presidentes de partido. Tenho relação com deputados, senadores e governadores. Atuo politicamente, isso é quase necessário na minha vida”, declarou.
“Agora é a eleição de 2024 que interessa, depois a renovação do PT no ano que vem. Aí em 2026, vamos ver como me recoloco na vida política institucional do País”, completou.
Articulação
José Dirceu disse que não vê um erro de articulação por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não vejo erro de articulação, porque formar maioria em uma Câmara como essa levou que PP e PRB (atual Republicanos) passassem a ser base do governo”, disse Dirceu.
O ex-ministro da Casa Civil do primeiro governo Lula disse que muitas legendas passaram a se assumir como de direita e com valores conservadores. “Qualquer tema hoje, seja de educação, saúde, política cambial, tributária, os partidos têm posição”, afirmou, apoiando, ainda, a discussão de uma reforma política no Brasil.
Dirceu defendeu que Lula utilize da comunicação por meio de comunicados pela cadeia de rádio e TV para falar diretamente com a população.
“Acho que o presidente precisava convocar uma cadeia de rádio e TV e explicar o que está acontecendo no País, que estamos nessa encruzilhada histórica. Se eu conheço o presidente, ele vai fazê-lo. Passamos 15 dias discutindo com o presidente do BC, o que no fundo era discussão sobre juros e que acabou personificada na pessoa do presidente do BC. E aí se faz um ajuste (no Orçamento de 2025) de R$ 27,5 bilhões (o anunciado por Fernando Haddad foi, na verdade, de R$ 25,9 bilhões no Orçamento de 2025). É preciso explicar para a população”, disse o ex-ministro.
