
Por Gabriel de Sousa, Lavínia Kaucz e Geovani Bucci, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o caso das conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é um “caso de polícia”. O presidente foi questionado pela imprensa durante um discurso em Camaçari (BA) e disse que não iria fazer comentários sobre as revelações divulgadas pelo portal The Intercept nesta quarta-feira (13).
“Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então, vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras e tratar do emprego”, afirmou Lula.
No áudio divulgado pelo Intercept, datado de 8 de setembro, Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que vai estrear em setembro deste ano e conta a história do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com uma visão positiva.
“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está um momento muito decisivo do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, diz o senador. Ao pedir dinheiro para Vorcaro, Flávio diz que havia risco de calote sobre o ator principal que interpreta Bolsonaro, Jim Caviezel, e o diretor da obra, Cyrus Nowrasteh.
Flávio ainda diz a Vorcaro que sabe que o banqueiro “está passando por um momento dificílimo aí também, com essa confusão toda”, em referência à crise vivida pelo Master antes da liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado.
Em outras mensagens obtidas pelo Intercept, Flávio ainda escreve a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”, disse.
Segundo o site, a negociação entre Flávio e Vorcaro previa o pagamento de 24 milhões de dólares, o equivalente a R$ 134 milhões. Desse valor, R$ 61 milhões já haviam sido pagos, e o senador cobrava o restante da cifra acordada.
Em vídeo e em nota publicados logo após uma reunião com aliados para estudar o impacto da crise, Flávio admitiu que havia feito a negociação com Vorcaro, mas que desconhecia as irregularidades que havia sobre os negócios dele com o Banco Master. O senador disse ainda que não ofereceu nenhuma vantagem em troca dos R$ 134 milhões.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca”, declarou o senador, em nota publicada. O senador também publicou o conteúdo em vídeo nas redes sociais.
IA nas eleições
Lula também disse que achou “maravilhoso” quando soube que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu o uso de inteligência artificial sobre candidatos sobre candidatos nas 72h antes e 24h depois das eleições de outubro. A norma está em resolução aprovada pela Corte eleitoral em março.
“Eu estava na posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral [Kássio Nunes Marques] e ele disse uma coisa assim: ‘Eu vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. Eu achei maravilhoso”, afirmou.
O presidente ainda defendeu a regulamentação, por parte do Poder Legislativo, da inteligência artificial e disse que não aceitará IA na sua campanha política. “Se a gente quiser, a gente pode fazer o Lula artificial, fazer comício em 27 Estados no mesmo dia, no mesmo horário. Eu tô lá, mas não tô. E eu confesso a vocês, um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu, não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política”, disse.
“A política é o tempo da verdade. O cara que mente na política, deveria cair a língua dele”, disse.
