
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (29) que o governo tem a obrigação de debater com aqueles que são contra o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A declaração foi feita em um evento que oficializou um assentamento no interior do Paraná.
“A gente tem a obrigação moral, ética e política de ver o que a gente viu aqui e ter a coragem de debater com aqueles que são contra o movimento sem-terra, contra a reforma agrária, aqueles que não conhecem o sacrifício e tentam vender a imagem de que vocês são invasores de terra. Na verdade, vocês são invasores de busca de dignidade, de busca de respeito e busca de direitos que vocês têm que ter”, disse Lula.
O presidente ainda fez uma cobrança ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, ao dizer que é preciso que o governo cumpra as promessas feitas ao sem-terra. Segundo o presidente, caso isso não for possível, é preciso “ter a verdade para falar que não dá para fazer”.
“Temos que fazer o que nós prometemos. Se não for possível, com a mesma verdade que a gente prometeu, a gente diz que não dá para fazer”, disse o presidente.
Lula participou de uma cerimônia de entregas do programa Terra da Gente, na cidade paranaense de Ortigueira. A visita oficializou o assentamento de 440 famílias na comunidade Maila Sabrina.
Vigília
Lula disse que é grato ao MST pela vigília feita em frente à Polícia Federal de Curitiba, onde o petista ficou preso por 580 dias entre 2018 e 2019.
“Eu, se tivesse acesso a todo o ouro do mundo, ainda assim eu não poderia pagar a gratidão que eu tenho a vocês pelo que vocês fizeram em Curitiba. Não teria como pagar. Vocês não sabem o que é você estar preso, e durante 580 dias, com chuva ou com sol, com frio ou com calor, eu ouvia: ‘Bom dia, presidente Lula’, ‘Boa tarde, presidente Lula’ e ‘Boa noite, presidente Lula’, de domingo a domingo”, disse Lula em discurso no interior do Paraná.
Segundo o presidente, o único medo dele é a de “trair a confiança” dada pelos sem-terra desde o início da carreira política dele. “Na minha idade, a gente não tem mais medo de nada. A única coisa que eu tenho medo é de trair a confiança que vocês depositaram em mim em toda a minha vida política, e não foi pouca confiança”, disse Lula.
Lula declarou ainda que é grato à direção nacional do movimento. Segundo o presidente, as ações do MST não são ilegais e o grupo luta para “cumprir a Constituição”.
“Essa minha gratidão não é pelos sem-terra do Paraná, essa minha gratidão é pelos sem-terra do Brasil. (..) A luta de vocês não tem nada de ilegal, a luta de vocês é para cumprir a Constituição”, afirmou o presidente.
