
Por Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse, em entrevista ao podcast Papo de Crente de um canal cristão que tem “compromisso de fé de ajudar o povo pobre” e que não divide “a sociedade por religião”.
“Não tenho hábito de fazer política tentando dividir a sociedade por religião. Tento unir o povo, respeitando todas as religiões, e conversar sobre políticas públicas que o Estado tem que fazer”, disse o presidente na entrevista ao programa Papo de Crente, divulgado no início da tarde desta sexta-feira (19).
A primeira-dama Janja da Silva também participou da entrevista.
Lula disse que voltou a ser candidato a presidente da República “porque tenho compromisso de fé de ajudar o povo pobre, ninguém tem dúvida, governo para todo mundo, mas tenho preferência pelo povo mais necessitado, porque eles precisam mais do Estado”.
O presidente rejeitou a possibilidade de frequentar igrejas e fazer discursos em missas e cultos para se aproximar dos eleitores cristãos. Disse que não fará a igreja de “palanque”.
“Não gosto de ir em igreja em época de campanha, porque não acho que a gente deva usar o nome de Deus em vão. (…) Se alguém achar que vou ganhar uma eleição porque vou em uma igreja fazer discurso, esqueça de mim, que não vou fazer. Não me faça usar uma igreja como palanque, não vou utilizar”, declarou Lula.
Sem compromisso
Lula criticou o Congresso Nacional e disse que “a maioria dos deputados não é de trabalhadores, não tem compromisso com trabalhadores, são gente de classe média alta que pouco está ligando pro povo”.
Ele também afirmou que “o povo desse país tem de entender que a maioria é pobre” e que “povo pobre tem que saber que a maioria (do país) é pobre e não é possível imaginar que um rico vai fazer por eles o que é preciso fazer”.
Lula disse que é preciso ter um “olhar carinhoso para os mais pobres” no exercício da Presidência da República, senão “os ricos ficarão com grande parte do Orçamento”.
“Por que tem muita gente da classe rica que não gosta do governo? Porque investimos R$ 400 bilhões em políticas de inclusão social. E essa gente gostaria que esse dinheiro fosse para eles”, comentou o presidente.
A primeira-dama Janja da Silva também participou da entrevista.
