
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — O juiz Fábio César Olintho De Souza, da Comarca de Manaus, negou na segunda-feira (14) o pedido de soltura de Bruno da Silva Gomes, preso pela morte do jovem palestino Mohammad Manasrah, de 20 anos, ocorrida na madrugada do dia 8 de fevereiro, na capital amazonense.
Fábio afirmou que, no momento, não há motivo para soltar Bruno. Segundo o juiz, há risco de que ele ameace Ismail Manasrah, irmão de Mohammad, que sobreviveu ao ataque. Ele também pode fugir, como fez o outro réu, Robson Silva Nava Júnior, que continua foragido.
“Conceder a liberdade do acusado traz riscos à paz social, considerando que existe vítima sobrevivente da ação delituosa, deve-se também resguardar a sua integridade física”, diz trecho da decisão.
“Ressalta-se que o crime supostamente cometido foi violento. Assim, resta provável sua possível periculosidade e o risco que a ordem pública corre com sua soltura, corroborando com os argumentos da acusação”, diz outro trecho.
A audiência de instrução e julgamento do caso começou no dia 2 deste mês, com a oitiva de Bruno, que está preso desde fevereiro deste ano na (Unidade Prisional do Puraquequara), na zona leste de Manaus.
Mesmo considerado foragido, Robson participou da audiência por videoconferência, mas não foi interrogado por conta de um problema no áudio do celular dele. A oitiva dele foi remarcada para a próxima terça-feira (22).
Bruno e Robson foram denunciados pelo MPAM no dia 5 de março pela morte de Mohammad Manasrah e pela tentativa de homicídio contra seu irmão, Ismail Manasrah. A denúncia se baseia na investigação da Polícia Civil do Amazonas.

De acordo com a denúncia, o crime foi cometido por volta das 2h, em via pública, na Rua Rio Içá, em frente a casa noturna Rox Club e Lounge, bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul de Manaus.
De acordo com o MPAM, Mohammad morreu ao sofrer golpe no pescoço com uma garrafa quebrada. Ismail também sofreu ferimentos graves no rosto e nas costas ao tentar proteger o irmão.
No documento, o promotor de Justiça Marcelo Bitarães de Souza Barros afirma que os crimes foram cometidos por à traição e por motivo fútil, o que pode agravar a pena em eventual condenação dos acusados.
“Bruno e Robson, conscientemente e em comunhão de vontades, mediante golpes de arma branca (gargalo de garrafa), por motivo fútil e mediante traição, ceifaram a vida da vítima Mohamad Manasrah, bem como tentaram matar o ofendido Ismail Manasrah”, diz a denúncia.
Entenda
A investigação da polícia indica que a briga que terminou com a morte do jovem palestino começou dentro da boate.
Mohammad estava acompanhado do irmão dele e de outros três amigos. Um deles esbarrou acidentalmente em Bruno, que carregava um balde de cerveja. O balde virou sobre Bruno, que ficou molhado. Bruno agrediu o irmão de Mohammad e o grupo revidou à agressão.
A confusão dentro da boate só acabou com a intervenção da equipe de segurança do local. Os seguranças da boate colocaram Bruno para fora do local.
A denúncia do MPAM aponta que Bruno ficou esperando o grupo sair da boate para retomar a briga. Ele se armou com uma garrafa quebrada e ficou escondido atrás dos carros.
“Já em via pública, o denunciado Bruno se dirigiu ao seu veículo, retirou a blusa e armou-se com o instrumento do crime (garrafa quebrada). Em seguida, retornou para a frente da casa noturna para esperar as vítimas saírem, escondido atrás dos veículos estacionados no local”, diz trecho da denúncia.
A investigação também aponta que Robson evitou que o grupo fosse embora para que Bruno se vingasse. Conforme a denúncia, ele iniciou uma conversa “amistosa” como grupo.
“Enquanto isso, as vítimas e seus amigos pagavam a consumação da casa noturna e se reuniam na frente do estabelecimento, na calçada. Quando saíam do local, o acusado Robson evitou que eles fossem embora do local, iniciando uma conversa amistosa com o grupo das vítimas e seus amigos”, diz outro trecho da denúncia.
O MPAM relata que, nesse momento, Bruno se aproximou e tentou atacar Mohamad Musa, que estava de costas, com a garrafa quebrada. Mohamad Manasrah percebeu que o amigo iria ser atingido e impediu o ataque.
De acordo com a denúncia, diante da intervenção, Bruno usou a garrafa para dar um golpe na região do pescoço e do tórax de Mohamad Manasrah. Ao ver o irmão ser agredido, Ismail tentou protegê-lo e chutou Bruno, que caiu. Ele se levantou e também desferiu golpes com o gargalo contra Ismail, atingindo-o no rosto e nas costas.
O MPAM afirma que, durante a confusão, enquanto Bruno usava o gargalo de garrafa, Robson “auxiliava na execução do crime, desferindo socos nas vítimas e nos demais presentes, dificultando a defesa deles”. Em seguida, os dois saíram correndo, fugindo do local.
“Importante ressaltar que os crimes foram praticados por motivo fútil, consistente na briga momentos antes entre os acusados e as vítimas e seus amigos, o que ocasionou a retirada dos mesmos do local”, diz o promotor de Justiça Marcelo Bitarães de Souza Barros.
“Além disso, restou comprovado a qualificadora da traição/recurso que dificultou a defesa dos ofendidos, já que o acusado Bruno retirou a camisa que usava no dia e se escondeu entre os veículos parados do outro lado da via, enquanto Robson iniciou uma conversa pacifica com os ofendidos, impedindo que eles fossem embora do local”, completou o promotor.
