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Dia a Dia

Juiz considera ‘enormes dúvidas’ sobre ‘Colômbia’ e decreta prisão preventiva dele

8 de julho de 2022 Dia a Dia
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Bruno Pereira e Dom Phillips
Polícia Federal quer saber porque Colômbia procurou Polícia Federal para falar sobre Bruno Pereira e Dom Phillips (Fotos: Divulgação)
Por Felipe Campinas, da Redação

MANAUS – Ao decretar a prisão preventiva de um homem conhecido como “Colômbia”, que foi preso em flagrante por usar documento falso, o juiz Fabiano Verli, da Justiça Federal do Amazonas, afirmou que é necessário esclarecer “o motivo de ele procurar a Polícia Federal [para falar] sobre o assassinato de Bruno [Pereira] e Dom [Phillips]”.

De acordo com Verli, na audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (8), o homem não explicou de forma satisfatória as questões consideradas graves envolvendo o nome e a naturalidade dele, que estão “absolutamente errados” no documento que ele usa. Por esse motivo, ele permanecerá preso até que se esclareça a verdadeira identidade dele.

“Decreto a prisão preventiva do flagranteado, uma vez que se trata de estrangeiro com registro falso no Brasil, ideologicamente, no mínimo. (…) Nada impede uma soltura daqui a alguns dias, em princípio, mas tudo deverá estar muito bem esclarecido, inclusive, o motivo de ele procurar a Polícia Federal sobre o assassinato de Bruno e Dom”, diz a decisão.

Colômbia foi preso na quinta-feira (7) na delegacia federal do município de Tabatinga, no extremo oeste do estado. Segundo a Polícia Federal, ele compareceu espontaneamente para prestar esclarecimentos a respeito de notícias que atribuíram o nome dele à morte de Dom e Bruno, mas, na ocasião, apresentou um documento falso de identificação.

Leia mais: PF apura relação de ‘Colômbia’ com pescadores suspeitos das mortes de Bruno e Dom

De acordo com a Polícia Federal, inicialmente, o homem apresentou um documento brasileiro com o nome Rubens Villar Coelho e naturalidade de Benjamin Constant (a 1,1 mil quilômetros de Manaus). No entanto, durante o depoimento, ele se contradisse ao afirmar que tinha nascido na Colômbia, o que chamou a atenção dos policiais.

O homem foi questionado pelos investigadores sobre as informações divergentes e apresentou um novo documento, dessa vez de origem colombiana, cujos dados eram diferentes do documento inicialmente apresentado. Conforme a Polícia Federal, o segundo documento tinha o nome de “Ruben Dario da Silva Villar”.

“Pouco convincente”

De acordo com o magistrado, na audiência de custódia, o homem não negou que o documento é “ideologicamente falso” e afirmou, “de modo muito pouco convincente”, que “não prestou atenção em dados fundamentais sobre a sua própria existência como cidadão colombiano e residente brasileiro”.

Verli sustentou que o juiz, quando não sabe a identidade de uma pessoa presa em flagrante, não pode adotar providências que seriam “irresponsáveis”, como a “soltura de um estrangeiro com 2 ou 3 documentos, eventualmente, que trabalha no exterior e que, portanto, suscita enormes dúvidas sobre o seu próprio ser, sua própria identidade”.

O magistrado disse que não é normal usar documento falso. “Não é razoável imaginar alguém usar documentos com nome errado, que não é o seu, naturalidade errada, que evidentemente não é a sua, e isto lhe parecer normal. Isso não é normal. Ter mais de um documento não é normal. Usar documento ideologicamente falso não é normal, igualmente”, disse Verli.

Após a audiência de custódia, o juiz determinou que o cartório de registro de pessoas naturais de Benjamin Constant envie, no prazo de cinco dias, cópias de todos os documentos sobre o cidadão “Rubens Villar Coelho”. Ele também pediu cópias de documentos de “Ruben Dario da Silva Villar” e de Raimundo Jorge da Silva Coelho, que seria pai dele.

Verli determinou, ainda, a solicitação ao consulado colombiano de cópias de documentos ou telas de computador sobre o cidadão “Ruben Dario da Silva Villar”. “Oficie-se ao consulado Colombiano informando da prisão, bem como para que este, sendo possível, nos envie cópias de documentos ou telas de computador sobre o cidadão”, diz a decisão.

Pescador

Nesta sexta-feira, em entrevista a jornalistas, o delegado Eduardo Fontes disse que a Polícia Federal investiga se Colômbia tem relação com pescadores suspeitos das mortes do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Até o momento, três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no crime.

Fontes informou que Colômbia declarou ter relação com alguns pescadores da região de Atalaia do Norte e citou o Amarildo da Costa de Oliveira, mais conhecido como ‘Pelado’, um dos presos que confessou participação nos assassinatos de Bruno e Dom. “Existe até o momento uma relação com alguns pescadores da região, uma relação comercial, segundo ele”, disse Fontes.

Os investigadores querem saber se Colômbia financia a pesca ilegal. “Estamos investigando se existe apenas uma relação comercial ou se existe uma pesca ilegal onde ele efetivamente participa. Se ele, de certa forma, financiaria essa pesca ilegal. Isso tudo é objeto de uma investigação que ainda está em andamento”, afirmou o delegado.

Na audiência de custódia, Colômbia afirmou que o nome verdadeiro dele é Ruben Dario da Silva Villar e que mora em Benjamin Constant. O homem disse que trabalha com compra e venda de peixe em um flutuante no lado peruano e que a única fonte de renda dele é a comercialização de peixes, cuja renda mensal chega a R$ 3,5 mil, dependendo da temporada.

Colômbia disse, ainda, que vive em união estável e tem 6 filhos no total, sendo 4 menores de idade. Ele afirmou que não tem carro, mas possui casa própria e que sua companheira é dona de casa.

A reportagem tentou ouvir o advogado de Colômbia, mas ele não respondeu as mensagens.

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Assuntos Bruno Pereira, Caso Dom e Bruno, Colômbia, Dom Phillips, Justiça Federal, manchete, Polícia Federal, Rubens Villar Coelho
Felipe Campinas 8 de julho de 2022
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