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Variedades

Itaú Cultural devolve obras que foram roubadas da Biblioteca Nacional

3 de dezembro de 2018 Variedades
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Rio de Janeiro Pitoresco (1842-1845)
As peças são a litografia “Rio de Janeiro Pitoresco” (1842-1845), de Buvelot e Moreau, e três desenhos que retratam a Amazônia, feitos entre 1865 e 1868, por Keller-Leuzinger (Foto: Reprodução/ Facebook)

Por Ivan Finotti, da Folhapress

RIO DE JANEIRO, RJ – O Instituto Itaú Cultural devolveu nesta segunda-feira, 3, mais quatro obras raras que haviam sido furtadas da Biblioteca Nacional em 2004 e que estavam em sua coleção Brasilianas na avenida Paulista.
As peças são a litografia “Rio de Janeiro Pitoresco” (1842-1845), de Buvelot e Moreau, e três desenhos que retratam a Amazônia, feitos entre 1865 e 1868, por Keller-Leuzinger.

As quatro obras haviam sido vendidas ao Itaú Cultural pelo colecionador Ruy Souza e Silva, que ajudou a formar a coleção e é ex-marido de Neca Setubal, herdeira do banco. Souza e Silva também havia vendido as oito gravuras do alemão Emil Bauch que estavam expostas no Itaú Cultural até março deste ano.

Após a Folha de S.Paulo publicar reportagem sobre o assunto, as peças foram periciadas pela Biblioteca Nacional e devolvidas à instituição carioca. Na ocasião, Souza e Silva afirmou ter comprado os trabalhos da casa de obras raras londrina Maggs Bros., e de ter apresentado os recibos ao instituto. Contatado novamente por email, o colecionador não respondeu até a publicação desta reportagem.

O caso foi levantado em março pelo próprio ladrão das gravuras, Laéssio Rodrigues de Oliveira, que afirmou em carta à Folha ter roubado centenas de obras da Biblioteca Nacional e de outros museus e de tê-las repassado a colecionadores como Souza e Silva.

Na entrega realizada nesta segunda, o delegado Paulo Teles afirmou que outras instituições prejudicadas devem procurar o Itaú e enviar listas de peças subtraídas. Citou a Biblioteca Mário de Andrade, o Museu Nacional, o Itamaraty, o Jardim Botânico, os arquivos Nacional e da Cidade do Rio, o Museu Histórico Nacional e o Instituto Fiocruz.

“É fundamental que essas instituições, entre outras, façam o mesmo trabalho que a Biblioteca Nacional. Laéssio Rodrigues está colaborando com a gente dizendo onde roubou e onde viu as obras que roubou no passado que expostas hoje”, disse o delegado federal Paulo Teles.

É possível que as obras roubadas por Laéssio tenham ido parar em coleções particulares ou mesmo em outras instituições públicas e privadas.

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, disse que as 2.800 obras da coleção Brasilianas estão à disposição. “Nós vamos procurar cada instituição listada pelo delegado e oferecer as obras que temos e que batem com roubos de cada uma. Se não tiverem especialistas em seu corpo técnico, podemos fazer uma parceria”, afirmou Saron.

Ele e a presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo, estão elaborando, em conjunto, um manual de conduta para a circulação de obras de arte. “Criaremos isso a partir de protocolos internacionais”, disse Severo. A devolução das quatro obras nesta segunda é resultado do trabalho de análise comandado pelo perito Joaquim Marçal.

A partir do cruzamento de centenas de obras furtadas em 2004 e 2005 da biblioteca com as do acervo do Itaú Cultural, o instituto enviou três lotes com 102 itens para o Rio. A maioria do material teve resultado inconclusivo e 32 foram declarados como definitivamente não pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional.

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Assuntos Biblioteca Nacional, coleções de arte, Instituto Itaú Cultural, obras roubadas
Redação 3 de dezembro de 2018
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