
Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – Moradores de 20 comunidades rurais de Manacapuru (a 86 quilômetros de Manaus) estão sem água potável e quase isolados pela seca do Rio Solimões. Para conseguir um único garrafão de 20 litros de água mineral, os ribeirinhos das comunidades São Sebastião da Ilha do Marrecão, Boca do Parauá, Supiá e Canabuoca andam durante três horas para chegar à sede de Manacapuru.
“Aqui nós não temos nada, trabalhamos para sobreviver. Para comprar água e alimentos, temos que andar mais de um quilômetro até o local da catraia e de lá vamos a Manacapuru. Quem não quer pagar o catraieiro, tem que puxar a canoa até onde tem água”, diz Izalene Santiago, coordenadora comunitária.
Segundo Izalene, o catraieiro cobra R$ 20 por viagem e o garrafão de água custa R$ 19,80. “Faz uma semana que estamos isolados. Temos um igarapé, mas a água ficou verde e não podemos usá-la. A dificuldade é maior para as mulheres porque elas não conseguem puxar a canoa”, diz.
Para chegar até o trecho que ainda é navegável para as canoas, os ribeirinhos precisam ir em grupos de cinco pessoas, pelo menos quatro são homens para puxar as embarcações pela areia.
“Se for ida e volta, temos que pagar R$ 40 de catraia e só conseguimos trazer um garrafão de água e regrar (controlar o consumo). E temos que trazer também arroz, farinha, feijão… tudo”, diz Izalene.

O serviço de catraia funciona das 6h às 11h e das 13h às 17h. Depois desses horários os comunitários contam com a ajuda de quem tem canoa própria para atravessar um trecho do rio. “Algumas crianças conseguem chegar à escola. E as que não podem, os professores mandam tarefa para casa”.
Na manhã desta quinta-feira (26), os comunitários esperavam as autoridades de Manacapuru depois de publicar um vídeo nas redes sociais em que mostram as dificuldades enfrentadas para se deslocar pela areia encharcada.
“Tentamos fazer uma barreira com sacos de areia para não secar o nosso lago, mas, infelizmente, não podemos mexer na natureza. O que nós reivindicamos é água potável e um transporte para trafegar pela área de praia, porque precisamos trazer alimentos da cidade para as nossas famílias. Pelo menos isso”, diz.
De acordo com o 37º Boletim Hidrológico de 13 de setembro, do SGB (Serviço Geológico do Brasil), a descida diária do nível da água no Rio Solimões é de 25 cm próximo a Manacapuru. O SGB considera essa média normal para a época.
