
Da Ascom Inmetro
BRASÍLIA – O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) apresentará na COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em Belém (PA), projetos de sustentabilidade, de transição energética e de descarbonização da economia. A COP30 ocorre dos dias 10 e 21 deste mês de novembro.
A exposição dos projetos ocorrerá na unidade flutuante do Inmetro. O público terá a oportunidade de visitar a embarcação.
Conforme o Instituto, a finalidade é fomentar o crescimento da economia verde no país. Entre os serviços estão metrologia legal e científica, avaliação da conformidade, eletromobilidade, rastreabilidade de medições de gases de efeito estufa e normas voluntárias de sustentabilidade.
A Dconf (Diretoria de Avaliação da Conformidade) e a Dimel (Diretoria de Metrologia Legal) apresentarão ações integradas para garantir o avanço da matriz elétrica com segurança e equilíbrio.
A Dconf conduz uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre equipamentos que compõem a infraestrutura de eletromobilidade, com foco em conectores de carregamento e baterias de íon-lítio.
Paralelamente, trabalha no aperfeiçoamento das metodologias do PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular), que avalia a eficiência energética de veículos elétricos.
A Dimel propõe a regulamentação metrológica de sistemas de abastecimento para veículos elétricos, assegurando o desempenho dos medidores e a transparência nas medições durante o carregamento. Confira as propostas e os departamentos que a desenvolvem:
Economia verde e certificação
A Dconf também atua em parceria com a Secretaria de Economia Verde (SEV) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em programas estratégicos, como o Selo Verde, o Selo Amazônico e o Mercado de Carbono. As ações buscam incentivar práticas produtivas sustentáveis e ampliar o acesso do Brasil ao financiamento climático internacional.
Inteligência artificial para o clima
A Diretoria de Metrologia Científica e Tecnologia (Dimci) apresentará um projeto que combina inteligência artificial, edge computing e blockchain para monitorar e reduzir emissões de gases de efeito estufa.
A proposta prevê a criação de um sistema integrado de análise e descarbonização do tráfego veicular, capaz de estimar em tempo real a eficiência energética e as emissões de automóveis — sejam a combustão, híbridos ou elétricos. O uso de blockchain garante a rastreabilidade dos dados e possibilita a geração de créditos de carbono de forma transparente.
O projeto apoia os planos nacionais de descarbonização e busca promover a mobilidade urbana sustentável, a justiça climática e o acesso a novos mecanismos de financiamento verde.
Energias renováveis e gases limpos
A Divisão de Metrologia em Dinâmica de Fluidos (Dinam) aprimora a confiabilidade das medições anemométricas usadas na geração de energia eólica. Novos serviços de calibração de anemômetros ampliarão a faixa de medição para atender à expansão dos parques eólicos no país.
O laboratório também atua no desenvolvimento de soluções para captura de carbono e garantia da rastreabilidade em medições de CO₂ e hidrogênio (H₂); áreas estratégicas para o avanço da transição energética.
Redução de emissões e biocombustíveis
A Divisão de Metrologia Química (Dquim) desenvolve Materiais de Referência Certificados (MRCs) voltados ao uso de biocombustíveis, contribuindo para a redução de emissões e a comparabilidade internacional das medições de gases de efeito estufa.
Esses estudos fortalecem a segurança técnica e a rastreabilidade metrológica, fatores essenciais para a credibilidade dos inventários de emissões e para o avanço das políticas de descarbonização.
Governança global e normas sustentáveis
A Coordenação-Geral de Articulação Internacional (Caint) apresentará a Plataforma Brasileira de Normas Voluntárias de Sustentabilidade (NVS ou VSS), iniciativa que mapeia normas aplicadas à economia verde e ao comércio internacional.
O objetivo é consolidar um espaço de diálogo e conhecimento sobre o tema, contribuindo para políticas nacionais proativas que ampliem os efeitos econômicos, sociais e ambientais positivos dessas normas e reduzam custos para o setor produtivo.
Prêmio na Alemanha
Construída com recursos federais, a Unidade Básica Fluvial de Fiscalização e Pesquisa (UBFFP II) foi a primeira embarcação da América Latina criada com a finalidade de realizar pesquisas científicas aplicadas em saúde e meio ambiente no Amazonas, produzindo coletas de dados e inventários da biodiversidade amazônica.
A unidade é referência no país por desenvolver atividades de fiscalização metrológica e avaliação da conformidade por meio fluvial. Entre os serviços realizados estão as verificações em bombas de combustiveis, balanças comerciais, capacetes, preservativos, brinquedos, extintores de incêndio, entre outros produtos fiscalizados.
A embarcação conta ainda com laboratórios de Pré-Medidos, onde são analisadas mercadorias embaladas na ausência do consumidor — como produtos da cesta básica (arroz, feijão, açúcar, farinha, óleo, frios) — para verificar se o peso indicado nas embalagens corresponde ao conteúdo real.
Dispõe também de laboratórios de Saúde, que verificam instrumentos como termômetros, esfigmomanômetros e balanças médicas; laboratório de Cronotacógrafo, responsável pela análise da “caixa-preta” dos caminhões; e um Telecentro, utilizado para treinamentos a distância com técnicos do órgão.
Em 2018, o laboratório flutuante do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) recebeu, na Alemanha, o prêmio CEEMS — sigla em inglês para Countries and Economies with Emerging Metrology Systems (Países e Economias com Sistemas de Metrologia Emergentes) — concedido pela Organização Internacional de Metrologia Legal (OIML).
