Infraestrutura do Amazonas: superando o desafio

Este texto conclui uma série de artigos sobre o futuro da infraestrutura de transporte do Amazonas. Ela estabeleceu o modal rodoviário como a maior prioridade e a maior lacuna a ser transposta para o desenvolvimento do Amazonas. A construção do futuro próspero da região depende primariamente da infraestrutura, antes de qualquer outra questão. Outros aspectos precisam ser regulados, como os fatores de proteção do meio ambiente, educação, aprendizado das culturas locais e tradicionais, bioética, uso responsável dos recursos naturais, sustentabilidade e todas as demais questões associadas a preservação, uso e crescimento da riqueza disponível.

Manter o isolamento do Amazonas é defender a preservação da condição de miséria. É necessário muito trabalho e esforço de todos que tenham interesse no desenvolvimento da região. A infraestrutura é um dos condicionantes para o desenvolvimento produtivo do Amazonas. Ser contra a possibilidade do transporte é o mesmo que ser contra as pessoas da região, condenando-as ao subdesenvolvimento. Portanto, não me parece ser o interesse dos verdadeiros Amazônidas isolar a região. A prosperidade deve ser construída como um fruto de um trabalho e esforço coletivo dos que aqui moram.

A atividade industrial desenvolvida com a Zona Franca de Manaus é uma semente que ajudará a financiar e despertar os verdadeiros potenciais do estado. Manaus é a capital do maior estado brasileiro e a cidade está praticamente isolada, quase no centro da imensidão do estado que possui 1.570.745,68km2. Esta indústria tem gerado empregos, produção e impostos suficientes para construir a infraestrutura necessária ao presente e ao futuro.

Atualmente, a infraestrutura do estado do Amazonas é praticamente a mesma de muitos anos atrás. Aliás, com um olhar mais crítico, é possível afirmar, sem medo de errar, que a infraestrutura parou de desenvolver ou retrocedeu no tempo, de acordo com o modal para onde se destine o olhar. A questão colocada hoje é: como mudar este cenário? Algumas pessoas acreditam que este é o melhor dos mundos: não fazer nada e deixar a floresta e a região como uma reserva, guardada para o futuro. Outros pensam que a reserva deve ser explorada sem trégua, o que levaria a destruição da riqueza da região. Os dois caminhos não interessam ao presente dos brasileiros, porque há perdas expressivas nos dois caminhos.

Rodovias e transporte por água é a base do transporte para o futuro do Amazonas. Como fazer isso de maneira sustentável? Este grande embate que tem sido vencido ao longo dos últimos anos onde a conclusão de nada fazer tem tido um vencedor: todos aqueles onde não há interesse no desenvolvimento do estado. Encontrar um caminho que interesse ao Amazonas é o grande desafio.Espero que esta série de textos sirva como reflexão para um futuro desenvolvido no Amazonas. Executar todos os anos, intransigentemente, 2,5% do PIB do estado na dotação de condições de transporte integrando-o ao restante do país permitirá que sejam realizadas atividades produtivas. Este é o convite: produção, geração de riqueza, criação de uma indústria vinculada com a biodiversidade local, produção de alimentos e tudo o mais que é possível com a floresta e com seu subsolo. Turismo, ciência, inovação tecnológica: este tripé deve nortear as ações, amparado por um olhar de sustentabilidade, incluindo o seu aspecto econômico, social e ambiental, nesta ordem e com prioridades equivalentes. Com isso poderemos, após muito trabalho, gerar o desenvolvimento, uma vez que ninguém “leva o desenvolvimento”, mas as sociedades se desenvolvem a partir das condições e das conquistadas por seu próprio mérito e esforço. Portanto, arregacemos as mangas e vamos ao trabalho, enfrentando os que são contrários aos nossos interesses,lembrando de aceitar alguns erros e muitos acertos ao longo do caminho.

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