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Economia

Inadimplência avança no país e atinge maior taxa anual desde 2016

7 de novembro de 2022 Economia
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Credores querem usar dinheiro de precatórios para pagar dívidas (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)
Brasileiros com dívidas em atraso vem aumentando ao longo dos últimos meses (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)
Por Lucas Bombana, da Folhapress

SÃO PAULO – Pressionados pelos juros altos e por uma inflação que, apesar da trégua recente, ainda segue em níveis elevados, o número de brasileiros com dívidas em atraso vem aumentando ao longo dos últimos meses.

Em outubro, o percentual de brasileiros com dívidas atrasadas avançou 4,7 pontos percentuais no período de 12 meses e alcançou o recorde de 30,3%, contra 25,6% em outubro de 2021.

Os dados são da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), que será divulgada nesta segunda-feira (7) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), e representam o maior patamar de inadimplentes desde o início da série histórica, em janeiro de 2010.

A proporção de famílias brasileiras com contas atrasadas cresceu de 30% para 30,3%, quarta alta mensal seguida.

Em um ano, foi o maior o avanço na inadimplência desde março de 2016.

“Nunca tínhamos tido uma proporção tão alta de famílias com dívidas atrasadas”, afirma Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela pesquisa.

Em relação a setembro de 2022, houve um aumento de 0,3 ponto percentual no total de inadimplentes em outubro.

Na divisão por faixa de renda, entre os consumidores que recebem até dez salários mínimos, a taxa de inadimplência saltou de 28,6%, em outubro de 2021, e de 33,1%, em setembro de 2022, para 33,6% no mês passado.

Já entre aqueles com rendimentos acima de dez salários mínimos, a taxa de inadimplência encerrou outubro de 2022 em nível bem menor, de 13,7%, contra 11,6% no mesmo período de 2021 e 13,9% em setembro deste ano.

Além disso, outros 10,6% dos brasileiros que participaram da pesquisa responderam que não terão condições de pagar as dívidas no próximo mês e permanecerão inadimplentes, ante 10,1% em outubro de 2021 e 10,7% em setembro deste ano.

“Temos um problema latente que é o risco dessa inadimplência atingir proporções cada vez maiores, o que tem um impacto na própria capacidade de pagamento no futuro”.

A economista da CNC afirma ainda que, com a oferta do consignado para os beneficiários do Auxílio Brasil, e a alta demanda, a tendência é que tanto o nível de endividamento quanto o de inadimplência aumente entre as famílias de menor renda.

Embora o valor do consignado seja descontado automaticamente pelo banco, impossibilitando o atraso de seu pagamento, é provável que os consumidores que tomaram o empréstimo, que passarão a ter uma parcela menor do auxílio disponível, enfrentem mais dificuldades para pagar outras contas, diz.

“Mesmo com a queda da inflação e a melhora do mercado de trabalho, ainda assim, o nível de endividamento e os juros altos têm dificultado o pagamento das contas dentro de um mês”, afirma Izis.

Os dados da CNC indicam ainda que o total de brasileiros endividados –com dívidas em balanço, embora as contas ainda não estejam em atraso– atingiu 79,2% no mês passado, um aumento de 4,6 pontos percentuais na comparação anual. Apesar da alta, trata-se da menor taxa anual desde julho de 2021.

Já em relação ao mês imediatamente anterior, após três altas consecutivas, houve um leve declínio de 0,1 ponto.

Os dados da pesquisa indicam ainda que o endividamento recuou, em bases mensais, de maneira generalizada entre as diferentes faixas salariais, embora com mais intensidade entre aquelas famílias de renda mais elevada –passou de 75,9% para 75,4% entre os consumidores com renda acima de dez salários mínimos, e de 80,3% para 80,2% entre aqueles com renda de até dez salários mínimos.

Na comparação anual, os consumidores de maior renda foram os que registraram o maior aumento no nível de endividamento, de 5,8 pontos percentuais, ante 4,3 pontos entre os que recebem até dez salários mínimos.

Segundo a economista da CNC, o primeiro trimestre de 2023 é, em particular, um período que tende a ser mais difícil para as pessoas quitarem todas as obrigações financeiras, quando há uma série de pagamentos sazonais –caso do IPTU e do IPVA e das renovações de matrículas e mensalidades escolares das crianças.

“Não temos uma visão de queda da inadimplência no curto prazo”, afirma Izis.

A especialista diz que uma postura conservadora neste final de ano, buscando aproveitar o 13º salário para, na medida do possível, fazer alguma economia, é essencial.

“A inadimplência não é boa para ninguém. Nem para o consumidor, nem para a empresa que ofereceu o crédito e muito menos para a economia”.

Entre as principais modalidades nas quais os brasileiros mais acumulam dívidas, o cartão de crédito lidera disparado na frente, com 86,2% em outubro de 2022. No mesmo mês do ano passado, o indicador era de 84,9%.

Depois estão carnês( 19,5%), financiamento do carro (9%), crédito pessoal (8,4%) e financiamento da casa (8,1%).

O gasto com o cartão é associado ao consumo de curtíssimo prazo, o que mostra que o quadro de juros e inflação elevados tem afetado de maneira significativa o orçamento das famílias, afirma Izis.

Já o consignado, que está entre as alternativas mais baratas de crédito, perdeu espaço, de 7% para 5% em um ano.

O percentual de consumidores que atrasou o pagamento de dívidas cresceu em 12 estados entre setembro e outubro. Bahia (43,7%), Rio Grande do Norte (42,4%), Minas Gerais (42,2%), Ceará (41,9%) e Roraima (38,5%) registraram as maiores proporções de famílias com contas atrasadas.

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Assuntos dívidas, inadimplência, inflação, juros
Murilo Rodrigues 7 de novembro de 2022
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