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Dia a Dia

Impedir recuperação de trecho da BR-319 é grave lesão à saúde, segurança e à economia públicas, decide STJ

10 de abril de 2021 Dia a Dia
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Da Redação, com Ascom STJ

MANAUS – O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Humberto Martins, aceitou argumentos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de que a inibição da realização das obras na rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho/RO) causa grave lesão à ordem, à segurança e à economia públicas. Martins liberou parcialmente obras de repavimentação na estrada.

O ministro aceitou a ponderação de que a via é a única ligação rodoviária entre os estados de Rondônia e Amazonas e, consequentemente, com todo o restante do Brasil.

De acordo com Humberto Martins, a excepcionalidade prevista na lei que regula o pedido de suspensão da interdição das obras – manifesto interesse público ou flagrante ilegitimidade, e risco de grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas – foi devidamente comprovada.

MBL manifesto
STJ libera repavimentação em trecho da Rodovia BR-319 (Foto: ABr/Agência Brasil)

“No caso, verifica-se a ocorrência de grave lesão aos bens tutelados pela lei de regência, na medida em que se demonstrou que a inviabilização da continuidade das obras de pavimentação e de recuperação da Rodovia BR-319/AM pode, sim, atingir o interesse público, uma vez que tem potencial para prejudicar a segurança e a saúde dos que trafegam em trecho rodoviário tão importante para o escoamento de produtos e alimentos e para o trânsito de cidadãos na região, configurando a única via terrestre de acesso ao restante do território brasileiro”, afirmou.

Martins derrubou parte da decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que, em antecipação de tutela, paralisou a licitação para a reconstrução do lote C da BR-319 no Amazonas.

A controvérsia se originou em ação civil pública ajuizada pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o Dnit e as construtoras responsáveis pela execução das obras. Foi pedida a anulação da licitação para obrigar o órgão federal a obter a licença ambiental e elaborar o EIA (Estudo de Impacto Ambiental) antes de iniciar a recuperação da estrada.

A ação foi julgada parcialmente procedente para permitir que o trabalho prosseguisse nos trechos A e B da rodovia, mas só após o licenciamento pelo Ibama. Quanto ao trecho C, foram permitidas apenas as obras já iniciadas e aquelas voltadas para a mitigação de danos ambientais. Na sequência, o MPF impugnou o processo licitatório para a contratação da empresa que iria elaborar os projetos e executar as obras de reconstrução do trecho C, alegando que este procedimento violaria a decisão anterior, e obteve a liminar no TRF1.

Trecho a ser asfaltado fica intransitável no inverno (Foto: Divulgação)

A autarquia sustentou haver interesse público na execução das obras, tendo em vista a precariedade da via, em especial neste momento de pandemia, em que os habitantes da região se encontram em situação extremamente vulnerável.

Segurança e saúde

Segundo Humberto Martins, a segurança no tráfego diário de veículos e a necessidade do transporte de medicamentos, vacinas e insumos hospitalares para o tratamento da Covid-19, de outras regiões do país para Manaus, exigem medidas imediatas de retomada das obras de pavimentação.

“A vida e a saúde das pessoas que transitam por tal rodovia não vão esperar pelo desenlace de todo o trâmite burocrático do andamento da ação judicial na origem”, declarou o magistrado, acrescentando que a proteção de bens jurídicos tão relevantes exige resposta imediata. “A vida não consegue ficar em suspenso enquanto tramita a ação judicial, justificando, portanto, sua proteção urgente”, completou.

Prejuízo

Ao deferir o pedido de suspensão, o presidente ressaltou que a obra já estava em andamento e a sua paralisação causa significativo prejuízo aos cofres públicos, diante dos reajustes ou rescisões contratuais que se fizerem necessários, ou da possível dispendiosa manutenção de serviços inacabados até que seja retomada.

“Está caracterizada a grave lesão à ordem pública, na sua acepção administrativa, em decorrência dos entraves à execução normal e eficiente do serviço público – no presente caso, em virtude de óbice à prestação célere e eficaz de obras públicas imprescindíveis à segurança e à saúde dos cidadãos”, concluiu.

Confira a decisão do ministro na íntegra.

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Assuntos BR-319, manchete, STJ
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