
Por Patricia Lara, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – A invenção, e não a automação, será a maior contribuição da superinteligência. Essa leitura vem de um protagonista da inovação global: Mark Zuckerberg. Em um ensaio com o título “O futuro é para todos”, o CEO da Meta afirma que a Inteligência Artificial, em breve, ajudará cada vez mais na descoberta de novos conhecimentos – desde a de novos medicamentos para curar a doença de um familiar até a busca de novas maneiras de aprimoramento de negócios.
E para permitir que todos possam usar a IA como ferramenta, Zuckerberg defende uma filosofia baseada no empoderamento individual como fonte de prosperidade, na invenção como propósito primordial da superinteligência e no equilíbrio de poder como fundamento da segurança.
Em seu artigo, Zuckerberg apresentou diversas recomendações de políticas, incluindo uma proposta sobre como o governo federal deveria colaborar com empresas para testar a segurança de novos modelos. O CEO da Meta também fez um apelo para que desenvolvedores de IA tenham permissão para destilar modelos uns dos outros.
Destilar é um termo usado como referência à técnica de aprendizado de máquina onde um modelo menor e mais rápido (o ‘aluno’) é treinado para imitar o comportamento, as previsões e as distribuições de probabilidade de um modelo maior e mais complexo.
Ele argumentou que a abordagem de sua empresa para o desenvolvimento de IAs poderosas – focada em uma distribuição ampla e na transferência para o usuário final muitas das decisões relacionadas a valores – é a que menos provavelmente levará a resultados desastrosos, como totalitarismo, desemprego em massa ou o surgimento de uma mente computacional imparável que ameace a humanidade.
“A maioria dos outros laboratórios concentra-se em criar IA para empresas, governos ou outras instituições; portanto, se esses laboratórios liderarem o processo, o equilíbrio de poder favorecerá as grandes instituições em detrimento dos indivíduos”, escreveu.
“Desde a nossa fundação, a missão da Meta tem sido colocar o poder nas mãos das pessoas. Se nossas crenças e princípios prevalecerem, o equilíbrio de poder favorecerá os indivíduos e um futuro melhor para todos”, acrescentou.
Como parte da execução de suas ideias, a Meta oferecerá ferramentas de IA em versões gratuitas que serão acessíveis a bilhões de pessoas. “Para aqueles que desejarem pagar para usar mais poder computacional, haverá um mecanismo de leilão dinâmico que garantirá que todos obtenham o menor preço possível pela inteligência e pelo poder computacional que estiverem usando”, escreveu.
Zuckerberg também escreveu que uma das atuais desvantagens dos EUA na corrida contra a China para desenvolver sistemas de computação superinteligentes é a dificuldade de construir infraestrutura em território americano. A Meta planeja investir até US$ 145 bilhões em despesas de capital este ano – principalmente para a construção de centros de dados – e um total de US$ 600 bilhões até 2028.
“Todos nós nos beneficiaríamos se definíssemos os acordos comunitários necessários para viabilizar um desenvolvimento sustentável em todo o país”, afirmou.
Fundada em 2004 nos Estados Unidos, a Meta é a companhia responsável pelos aplicativos Facebook, Messenger, WhatsApp e Instagram.
