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© 2022 Amazonas Atual
Dia a Dia

Há 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil, registra o IBGE

17 de abril de 2026 Dia a Dia
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Público em pavilhão da COP30 em Belém: plano para proteger mulheres e crianças (Foto de Alex Ferro/COP30)
Público em pavilhão da COP30 em Belém: maioria de mulheres (Foto de Alex Ferro/COP30)
Por Roberta Jansen, do Estadão Conteúdo

RIO DE JANEIRO – Está faltando homem mesmo. A queixa recorrente das mulheres, sobretudo daquelas com mais de 40 anos, tem o respaldo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo novos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2025, divulgados nesta sexta-feira (17), existem 95 homens para cada 100 mulheres no Brasil.

Dependendo do Estado e da faixa etária a situação se agrava. No Rio de Janeiro, por exemplo, na faixa com mais de 60 anos, são apenas 70 homens para 100 mulheres. E em São Paulo não é muito diferente: na mesma faixa são 76 para 100.

Os números do último Censo mostraram que, em 2022, a população brasileira era formada por 104.548.325 mulheres e 98.532.431 homens – cerca de 6 milhões de mulheres a mais. Segundo os demógrafos, as chamadas causas externas, como acidentes graves e violência urbana, que vitimam muito mais homens, e o fato de as mulheres cuidarem mais da saúde explicam essa diferença.

O fenômeno não é recente. A série histórica da PNAD mostra que, em 2012, a população residente do país era formada de 48,9% de homens e 51,1% de mulheres. A proporção se manteve até 2018. Em 2019 houve uma ligeira alteração, passando para 48,8% e 51,2%. Até 2024, as porcentagens se mantiveram.

Por razões biológicas, em todo o mundo nascem de 3% a 5% mais homens do que mulheres. No Brasil, essa proporção se mantém até os 24 anos, quando a população feminina ultrapassa a masculina.

Isso acontece porque entre os adultos jovens são registradas muito mais mortes de homens do que mulheres. Essas mortes estão relacionadas às causas não naturais, ou seja, violência e acidentes.

Por outro lado, a expectativa de vida das mulheres é sempre maior do que a dos homens globalmente. Isso é atribuído ao fato de as mulheres se cuidarem mais, se alimentarem melhor e frequentarem mais os médicos. Por isso, na faixa etária acima dos 60 anos, é comum o número de mulheres ser mais elevado.

Com a transição demográfica brasileira – envelhecimento da população e redução dos nascimentos -, essa diferença fica ainda mais evidente.

A tendência se repete em todas as regiões e, praticamente, em todos os Estados do País, segundo a PNAD. As únicas exceções são Tocantins, onde são 105,5 homens para 100 mulheres, Mato Grosso, com 101,1, e Santa Catarina, onde são 100,2 homens para 100 mulheres.

Do ponto de vista regional, o tipo de oferta de trabalho pode elevar a proporção de homens, como em lugares com atividades com a mineração e o agronegócio.

A notícia sobre a diferença do tamanho das populações conforme o gênero não é necessariamente ruim para as mulheres. Segundo estudo do professor de Ciência Comportamental da London School of Economics Paul Dolan, as mulheres solteiras e sem filhos tendem a ser mais felizes e saudáveis do que as casadas.

De acordo com o pesquisador, os homens se beneficiam muito mais com o casamento, porque passam a se cuidar melhor, se alimentar de forma mais saudável e ter apoio emocional. As mulheres, por sua vez, ficam mais sobrecarregadas. É comum que elas precisem acumular obrigações profissionais e domésticas, como a casa e os filhos.

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Assuntos brasil, IBGE, Pnad Contínua, População
Cleber Oliveira 17 de abril de 2026
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