“Peneiras não tapam o Sol. Palavras podem apagá-lo”.
Steven Pinker em “Como a Mente Funciona” afirma que linguagem cria realidade, pois somos animais linguísticos. De fato, palavras emitidas por autoridades possuem um poder impressionante.
Refiro-me especificamente à palavra falada. Isso que chamamos de retórica, eloquência, dialética, persuasão verbal, oratória ou simplesmente lábia.
Grandes oradores tendem a ser grandes líderes em vários setores das atividades humanas, tais como: religião, política, sindicatos, dramaturgia, vendas, marketing, direito, militarismo, etc.
Aos berros e/ou aos gritos, hábeis políticos conseguem “apagar” a realidade de fatos comprometedores. Os mesmos procedimentos usam alguns pregadores religiosos, causando dúvida e até culpa nas convicções do ouvinte. Alguns pastores da televisão gritam, paralisam e assustam até as crianças. Exemplos:
– Não deixa que o capeta te domine. Deus te ama. Deixa ele agir…
– As direitas querem usurpar o poder dos pobres. Não vai ter golpe…
Essa poderosa influência que pode injustamente distorcer a realidade, levou o povo alemão a cometer a grande atrocidade que foi o holocausto dos judeus. A persuasão nazista foi centralizada no poder da eloquência de Adolf Hitler.
No Brasil atualmente temos assistido vários brilhantes oradores a favor e contra o impeachment do governo federal. Causa-me confusão, indecisão, dúvida. Parece que vencerá o poder da lábia e não a realidade pura dos fatos. Fatos comprometedores, bem como nobres razões, existem dos dois lados. O poder econômico das facções em forma de gratificação “por fora”, também deve ter sua influência nas votações… Decididamente não há um lado todo certo e outro todo errado.
Em suma, não nos deixemos impressionar tanto pela lábia dos grandes oradores que aparecem na mídia. Temos amplo direito a pensar e a ter dúvidas. É verdade que precisamos assistir mídias para formarmos nossas opiniões. Mas é essencial pensarmos por conta própria. Às vezes fico alguns dias sem assistir aos programas midiáticos. Por que? Dou-me um tempo para descansar a mente da grande quantidade de informação bipolarizada que temos recebido nestes primeiros meses de 2016. Alienação é outra coisa!
Luis Alberto Passos Presa é psicólogo, professor da Ufam, doutor em Ciências,
cidadão, contribuinte e eleitor
