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Economia

Governo quer cobrar novo imposto em dois anos, prazo menor que o da reforma

27 de agosto de 2019 Economia
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Ministério_da_Fazenda
Ministério da Fazenda: tempo menor para implantar regras tributárias (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Thiago Resende e Bernardo Caram, da Folhapress

BRASÍLIA-DF – O governo quer que mudanças no sistema tributário entrem em vigor num prazo inferior a dez anos. A transição em estudo, portanto, é mais curta que a prevista na reforma em andamento na Câmara dos Deputados.

O secretário especial adjunto da Receita Federal, Marcelo de Sousa Silva, citou como exemplo, nesta terça-feira, 27, a possibilidade de o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) ser implementado em dois anos com a junção de PIS e Cofins.

Após mais um ano, o IPI seria incorporado a esse novo imposto. Depois, poderiam entrar o ICMS e o ISS, que são tributos estaduais e municipais. “Será que vamos conseguir ter um ambiente de negócios de forma que a gente consiga já alavancar investimentos, fazer o Brasil crescer, mantendo a mesma estrutura durante dez anos?”, questiona o secretário adjunto.

Ainda não há data para que o ministro Paulo Guedes (Economia) e o presidente Jair Bolsonaro enviem as sugestões próprias para a reestruturação de impostos e contribuições. O ministro se reúne nesta terça com o secretário da Receita, Marcos Cintra, para tentar arrematar a proposta.

Na Câmara, já está avançando um projeto encampado por líderes partidários. O texto prevê a criação de um IVA com transição de dez anos.
Silva avalia que a burocracia precisa começar a ser eliminada para estimular a economia. “A diferença da proposta do governo e da proposta que está aí hoje (tramitando no Congresso) se chama transição. Uma transição que entregue simplicidade ao longo do processo”, completou.

O secretário especial da Receita, Marcos Cintra, voltou a falar que a reforma da equipe econômica deve prever a criação de um IVA (imposto sobre valor agregado), mudanças no IR (imposto de renda) e a criação de uma contribuição sobre transações financeiras, seguindo o molde da extinta CPMF.

Cintra e Silva participaram nesta terça de um café da manhã promovido pela Abrig (associação brasileira de relações institucionais e governamentais) para debater a reestruturação tributária no país. O governo apresentou as bases de sua proposta no evento.

Segundo Cintra, a ideia é priorizar a unificação de impostos federais (PIS, Cofins e IPI) num imposto sobre valor agregado, que deve ser chamado de CSBS (contribuição social sobre bens e serviços).
A junção de ICMS e ISS, porém, dependeria de consenso com estados e municípios.

Diante do histórico de fracasso de outras propostas tributárias, ele considera difícil uma reforma que inclua ICMS e ISS. “Mas vamos apoiar, vamos ajudar”, disse.

Cintra afirmou que não pretende obrigar nenhum estado e município a aderir à reforma. No entanto, quer deixar a opção para que, caso algum governador ou prefeito queria, o ICMS ou ISS possa ser incorporado ao imposto sobre valor agregado.

Além disso, o projeto do governo deve prever a criação da CST (contribuição social sobre transações), uma espécie de ‘nova CPMF’ e que já -há algumas semanas- era apresentada como CP (contribuição previdenciária).

Cintra informou que a alíquota inicial deve ser entre 0,2% e 0,22%, mas que o objetivo é deixar o Congresso calibrar a taxas a serem cobradas sobre transações e na CSBS.

Ele voltou a declarar que a equipe deseja mudanças no Imposto de Renda, como redução da alíquota máxima para algo entre 20% e 25%, tributação sobre dividendos, criação de um teto para dedução de despesas médicas e de um IR negativo, no qual a baixa renda seria compensada com a devolução de dinheiro.

O plano do time de Guedes inclui ainda a desoneração da folha de pagamentos. Esse tributo é pago pelas empresas e, segundo o governo, impede a criação de novos empregos no país. Em troca, a ‘nova CPMF’ financiaria os gastos da Previdência.

Em reuniões feitas no Ministério da Economia nessa segunda, 26, entrou em discussão a possibilidade de que o governo apresente uma reforma mais enxuta, apenas com a reforma do IR e a contribuição sobre pagamentos. Nesse caso, o governo negociaria para que os dois pontos fossem acoplados à proposta que já tramita no Congresso. Na avaliação de auxiliares de Guedes, essa seria uma opção conciliadora e que não abriria disputa com o Legislativo.

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Assuntos Imposto sobre Valor Agregado, reforma tributária
Cleber Oliveira 27 de agosto de 2019
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