
Do ATUAL
MANAUS — O governo federal trabalha em um plano para socorrer municípios que correm o risco de ficar isolados durante a seca e a estiagem provocadas pelo fenômeno El Niño neste ano. Entre as medidas está a distribuição adicional de combustível para localidades que dependem de usinas termelétricas para geração de energia elétrica.
Segundo o ministro substituto do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o governo já mapeou comunidades que podem enfrentar dificuldades de acesso com a redução do nível dos rios. A estratégia envolve 22 ministérios e é coordenada por meio de uma sala de situação do governo federal.
“Estamos trabalhando no plano de enfrentamento do El Niño desde o início do ano, quando as previsões já apontavam esse risco. Nós temos agora a sala de situação do governo federal. Envolve 22 ministérios que operam conjuntamente”, afirmou Capobianco após participar de um evento no CBA (Centro de Bionegócios da Amazônia), nesta sexta-feira (14).
Uma das principais preocupações é garantir o abastecimento de localidades que podem ficar isoladas e que utilizam óleo diesel para produzir energia elétrica. Conforme o ministro, os ministérios de Minas e Energia e dos Transportes, juntamente com a Casa Civil, trabalham na logística para antecipar o fornecimento.
“Já há um planejamento para distribuição de combustível adicional para as cidades e localidades que utilizam, por exemplo, óleo diesel para produção de energia elétrica”, disse.
A medida busca evitar problemas como os registrados durante a seca histórica de 2023 no Amazonas. Naquele ano, o Rio Negro atingiu a marca de 12,70 metros em Manaus, então o menor nível registrado desde o início das medições.
Mesmo com a formação de estoques de combustível pela Amazonas Energia para garantir o funcionamento das termelétricas em municípios que ainda não estavam conectados ao SIN (Sistema Interligado Nacional), São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus) enfrentou racionamento de energia elétrica.
A dificuldade para transportar combustível durante a estiagem comprometeu a geração de energia no município. O problema afetou moradores e, principalmente, comerciantes, que tiveram prejuízos com a perda de produtos que precisavam permanecer refrigerados.
Além da preocupação com o isolamento de comunidades, o governo federal prepara ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Segundo Capobianco, Ibama e ICMBio contam neste ano com o maior contingente de brigadistas já mobilizado pelos dois órgãos.
Somados brigadistas e servidores públicos envolvidos no combate ao fogo, são mais de 5 mil profissionais. O governo também ampliou a quantidade de aeronaves e equipamentos disponíveis para as operações.
Capobianco lembrou ainda que, no ano passado, foram liberados R$ 500 milhões para os corpos de bombeiros. Segundo ele, todos os estados da Amazônia receberam recursos, inclusive o Amazonas, para capacitação de profissionais, aquisição e melhoria de equipamentos, treinamentos e equipamentos de proteção individual (EPIs).
O ministro afirmou que não é possível impedir os efeitos do fenômeno climático, mas que a preparação antecipada pode reduzir os prejuízos. “Não temos como impedir que esse evento ocorra, mas vamos minimizar o impacto”, afirmou.

