
Do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O Plano Safra 2025/26 vai oferecer na temporada que começa nesta terça-feira (1) R$ 594,4 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, 1,7% a mais do que a oferta de crédito na temporada anterior 2024/25, de R$ 584,5 bilhões.
Do montante, R$ 516,2 bilhões serão ofertados para a agricultura empresarial, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (chamadas de CPRs), enquanto outros R$ 78,2 bilhões foram direcionados para a agricultura familiar. Os números foram anunciados pelo Palácio do Planalto.
Os juros aplicados nos financiamentos variam de 0,5% ao ano a 8% ao ano nas linhas da agricultura familiar. Na agricultura empresarial, os juros variam de 8,5% ao ano a 14% ao ano, entre as linhas de custeio e investimento.
O Plano Safra atual foi considerado um dos mais difíceis de construção pelo Executivo dada a escalada dos juros e o aperto orçamentário do Executivo em meio à atual contenção fiscal. A taxa Selic passou de 10,5% ao ano para 15% ao ano em um ano, o que encarece o custo de equalização das taxas de juros para a União e pressiona o orçamento de subvenção.
Carga tributária
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na cerimônia de lançamento do Plano Safra que o governo está reduzindo a carga tributária das exportações brasileiras por meio do IVA (Imposto de Valor Agregado), previsto na reforma tributária. Ele pontuou que o mercado internacional está “muito protecionista” e tende a ficar mais.
“Nós temos que nos proteger”, disse, em discurso no Palácio do Planalto. Ele completou que a questão sanitária é um elemento, mas a ecológica é outra dimensão muito importante para fazer valer a competitividade do Brasil.
“Estamos tirando carga tributária da nossa exportação por meio da introdução do Imposto de Valor Agregado. Pouco se fala disso, mas talvez seja a mudança mais dramática que nosso sistema tributário vai viver”, afirmou o ministro. Segundo ele, isso é o contrário do que alguns países da América do Sul “celebrados pela oposição” estão fazendo.
O ministro afirmou que os chefes da Casa Civil e da área de infraestrutura estão melhorando a logística, via PAC, para dar vazão às exportações brasileiras. Haddad disse que os investimentos em logística nos últimos governos “simplesmente minguaram” e foram retomados neste ciclo de governo. Exemplificou que o governo passado fez quatro concessões de rodovias em quatro anos, enquanto o governo Lula tem a meta de fazer 30. “Quem está retomando o investimento em logística é o governo do presidente Lula”, defendeu.
Fernando Haddad reconheceu a existência do que chamou de “disputa ideológica” no país, e pediu que celebrem o crescimento da economia independente de posição política.
Por fim, Haddad disse que o governo atual não quer apenas que o País cresça. “O governo quer que o País cresça muito e ele está crescendo 3% ao ano em média, o dobro do que ele vinha crescendo nos 10 anos anteriores. Mas agora é hora de buscar crescimento com justiça social”.
