
Por Soraia Joffely, do ATUAL
MANAUS – O governo Lula vai ouvir a população negra para elaborar ações de políticas públicas no Plano Nacional Juventude Negra Viva. A iniciativa é do Ministério da Igualdade Racial que promove nos estados as Caravanas Participativas, encontros com o público negro para colher propostas. Em Manaus, a reunião ocorreu na manhã desta segunda-feira (31).
O plano foi lançado ainda no governo de Dilma Rousseff e retomado agora por Lula. Nos debates serão colhidas sugestões para definir ações de inclusão dos negros na educação, proporcionar segurança pública e acesso à Justiça e saúde. A finalidade é implantar medidas de combate à violência letal, as vulnerabilidades sociais que afetam a juventude negra e ao enfrentamento do racismo estrutural.
O diretor de Políticas de Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial, Yuri Silva, disse que as caravanas proporcionam o debate e identificação das necessidades da população negra.
“Poder conversar com jovens negros de todo o Brasil para que seja possível elaborar esse plano é o que precisávamos, pois não é possível saber o que a população negra necessita sem ouvi-la. O resgate desse programa criado em 2014 é essencial para fomentar políticas públicas assertivas para atender as necessidades e demandas desse povo”, disse Yuri Silva.
As ações práticas serão implantadas em conjunto com os governos estaduais. A elaboração das políticas públicas será do GTI (Grupo de Trabalho Interministerial), instituído pelo Decreto n° 11.444, de 21 de março de 2023.
Uma das medidas é reduzir o número de negros presos. Segundo o Anuário de Segurança Pública 2023, a população negra encarcerada atingiu o maior patamar histórico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, iniciado em 2005.
Segundo o estudo, negros representam 68,2% do total das pessoas presas nas peniténciarias do país. Em 2022, havia 442.033 negros encarceradas, sendo esse o maior percentual já registrado.
Para Nathaly Virginia, aquilombo do Barranco de São Benedito e uma das participantes do painel, a educação é um dos meios para promover a redução desse grupo nas prisões.
“Nas comunidades, a gente presencia o declínio do jovem ao tráfico de drogas pela facilidade de ter muito dinheiro envolvido, e, consequentemente, ter uma evasão escolar, o que dificulta esse jovem possuir algum embasamento para discutir seus direitos”, enfatizou Nathaly.
“A educação é a principal arma contra essa questão. Pois, a partir do momento que essa população tem letramento racial, tem consciência de que é uma pessoa negra e que é necessário lutar tanto por mim quanto pelos outros, o povo consegue manipular a sociedade ao seu favor”, disse.
O plano será apresentado dia 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
