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Política

Governo Bolsonaro avisa que representantes de Maduro devem deixar o Brasil

5 de março de 2020 Política
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Ordem afeta tanto diplomatas quanto oficiais de chancelaria que trabalham na embaixada em Caracas e em consulados (Foto: ABr/Agência Brasil)
Por Ricardo Della Coletta, da Folhapress
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BRASÍLIA – O governo de Jair Bolsonaro comunicou o regime do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, que todos os diplomatas chavistas no Brasil deverão deixar o país.

Trata-se do principal gesto diplomático contra Maduro desde que Bolsonaro reconheceu, no início do ano passado, o líder opositor Juan Guaidó como presidente encarregado do país.

O aviso dado pela chancelaria brasileira a Caracas é que os diplomatas chavistas serão expulsos caso não saiam do país dentro de um prazo estipulado.

Interlocutores relataram à reportagem que há hoje 17 funcionários do regime chavista no Brasil. Além da embaixada em Brasília, a Venezuela mantém consulados em Manaus, Boa Vista, Belém, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para viabilizar a saída dos chavistas, o governo publicou portarias nesta quinta-feira, 5, determinando a volta dos funcionários brasileiros que hoje servem na Venezuela.

A ordem afeta tanto diplomatas quanto oficiais de chancelaria que trabalham na embaixada em Caracas e em consulados de outras localidades.

De acordo com as portarias, devem voltar ao Brasil quatro diplomatas: Rodolfo Braga, que atualmente chefia a embaixada em Caracas, Elza Marcelino de Castro, atual cônsul-geral, Francisco do Nascimento Filho, que está no consulado em Ciudad Guayana, e Carlos Leopoldo de Oliveira (também da embaixada).

Além deles, outros 11 funcionários brasileiros também receberam as ordens de remoção. Eles serviam na embaixada e no consulado-geral em Caracas, além do consulado em Ciudad Guayana e dos vice-consulados em Puerto Ayacucho e Santa Elena do Uairén (cidade que faz fronteira com Pacaraima, em Roraima).

Durante o governo do ex-presidente Michel Temer, tanto a Venezuela quanto o Brasil retiraram os seus embaixadores das missões nos respectivos países.

No entanto, a presença diplomática foi mantida em níveis inferiores de representação.

A situação mudou com a chegada de Bolsonaro ao poder, quando a saída dos diplomatas chavistas passou a ser um objetivo do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e dos expoentes da ala ideológica do governo.

No entanto, a meta demorou para ser concretizada e durante mais de um ano o Itamaraty conviveu com um impasse.

Os representantes de Maduro permaneceram no Brasil, no controle do edifício da embaixada em Brasília, mas Bolsonaro reconheceu como embaixadora uma enviada de Guaidó: a advogada María Teresa Belandria.

O momento mais tenso da coexistência de duas missões diplomáticas da Venezuela no Brasil ocorreu em 13 de novembro, durante a cúpula em Brasília dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Aliados de Guaidó entraram na embaixada em Brasília, sob a alegação de que foram convidados por chavistas desertores.

Os representantes de Maduro contestam essa versão e afirmam que houve uma invasão da propriedade.

Houve tumulto no local e o grupo pró-Guaidó só deixou o edifício após 12 horas.

O principal entrave para a expulsão dos diplomatas de Maduro era justamente a presença de pessoal brasileiro na Venezuela -país que apesar da crise econômica e política permanece sob o controle do chavista.

O Brasil sabia que determinar a saída dos representantes do regime poderia gerar represálias, entre elas a expulsão dos diplomatas brasileiros.

Há meses o Itamaraty vinha trabalhando num plano para possibilitar a adoção da medida. Com a ordem de retorno para os diplomatas brasileiros publicada nesta quinta, o caminho ficou livre para comunicar Caracas que o Brasil quer a saída do seu território dos representantes de Maduro.

A chancelaria brasileira adotou ainda outras ações contra o corpo diplomático chavista. O Itamaraty deixou de emitir, por exemplo, a chamada carteira de registro diplomático para os representantes de Maduro no país.

Foram suspensas as emissões do documento -uma espécie de RG para diplomatas- e os pedidos de renovação passaram a ser negados.

Saias justas diplomáticas

23.jan.2019
Brasil reconhece Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

4.jun.2019
Bolsonaro contraria ala militar e recebe credenciais da embaixadora de Guaidó, María Teresa Belandria.

13.nov.2019
No primeiro dia da cúpula do Brics, aliados de Guaidó invadem a embaixada venezuelana em Brasília, onde trabalham os representantes do regime de Nicolás Maduro.

Ato foi visto como proposital pelo governo brasileiro e causou constrangimento, já que China e Rússia apoiam o ditador.

23.dez.2019 Regime Venezuelano acusa Brasil de estar por trás de um ataque a uma base militar no sul do país, próxima à fronteira com o Brasil -uma pessoa morreu e outra ficou ferida.

Caracas pede que Brasília entregue o suposto mandante do ataque e outros cinco militares que teriam participado da ação.

28.dez.2019
Governo Bolsonaro nega o pedido e afirma que o grupo dará início ao processo de solicitação de refúgio.

15.jan.2020
​Em seu discurso anual de prestação de contas, Maduro diz que as Forças Armadas estão prontas para “arrebentar os dentes” do Brasil em caso de uma agressão militar.

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Assuntos embaixada da Venezuela, Nicolas Maduro, Venezuela
Redação 5 de março de 2020
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