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Política

Gilmar Mendes diz que Lava Jato virou partido político e critica fundo para força-tarefa

24 de abril de 2019 Política
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Gilmar Mendes é homenageado em pelo menos três novas marchinhas de carnaval (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Gilmar Mendes é homenageado em pelo menos três novas marchinhas de carnaval (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Por Giuliana Miranda, da Folhapress

LISBOA-PORTUGAL – Ao comentar a decisão do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) de abrir inquérito sobre a conduta do procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes (STF) afirmou que a operação se transformou em um partido político. 
“A Lava Jato nada mais é do que um grupo de trabalho. Mas, por um vício, esses vícios comuns a nós, ela virou na verdade uma instituição, um partido político”, disse.

O conselho do Ministério Público decidiu, nessa terça, 23, apurar a conduta de Dellagnol. Em entrevista à rádio CBN, em agosto de 2018, o procurador disse que três ministros do STF – Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski – formavam uma ‘panelinha’ que “manda uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”.

Para Gilmar, houve uma tentativa de reduzir o teor das declarações de Dallagnol sobre o Supremo. “Acho que a mídia está até minimizando isso. O que ele disse é que a turma (do Supremo) passava uma mensagem favorável de leniência quanto à corrupção, esta foi a imputação dele. E, depois disso, que formava uma panelinha. Foi por isso que houve a representação”, disse.

O ministro do Supremo Tribunal Federal criticou também a tentativa de criação de uma fundação, em Curitiba, ligada à força-tarefa. A iniciativa acabou abortada após a repercussão negativa do projeto. “Eles teriam 100 milhões de euros para brincar de agentes sociais”, avalia. “Era a brincadeira que Dallagnol teria para fazer política, talvez para fazer campanha e coisas do tipo”, completou.

Gilmar falou ainda sobre supostos abusos da Lava Jato, que teria criado uma espécie de constituição própria em Curitiba. “Acho que o poder envolve responsabilidade para todos. Foi o que disse ontem: estado de direito não convive com soberanos. Na medida que alguém descola e passa a operar sem ter que prestar contas a ninguém vira soberano. Passou a existir o que brinquei: a constituição de Curitiba”.

Para o ministro, o Brasil vive um momento de pequenas mudanças positivas contra os abusos judiciais. “Essas coisas precisam ser delimitadas e devagar as coisas estão sendo colocadas nos trilhos, mas houve muitos abusos nos últimos anos em nome do combate à corrupção”. O ministro conversou com a imprensa nesta quarta, último dia do 7º Fórum de Direito de Lisboa, organizado pelo IDP em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

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Assuntos Deltan Dallagnol, Gilmar Mendes, Lava Jato
Cleber Oliveira 24 de abril de 2019
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