
Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – Manaus tem frota de 2.444 carros elétricos, segundo o Detran (Departamento de Trânsito), mas falta mecânico especializado nesse tipo de veículo. A carência ocorre pela falta de cursos técnicos para formação de profissionais e de oficinas com infraestrutura adequada para o serviço, diz Lucciano Libório, presidente da Alveam (Associação de Lojistas de Veículos do Estado do Amazonas).
“É uma tecnologia considerada nova. A chegada de veículos elétricos na nossa região começou a se intensificar apenas nos últimos dois, três anos. Muitas oficinas ainda estão adaptando suas ferramentas e processos para lidar com sistemas de alta tensão, baterias de íons de lítio e protocolos de diagnóstico eletrônicos mais avançados”, diz Libório.
O empresário diz que são poucos os centros de formação que oferecem módulos especializados em veículos elétricos no Brasil. O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), referência em cursos técnicos, ainda está “formatando um curso” para mecânicos de carros elétricos.
“Grande parte dos mecânicos precisa buscar capacitação fora do Amazonas, o que encarece e desestimula o investimento em treinamento”, complementa Lucciano Libório.
A reportagem conversou com Gilberto Carrijo, gerente da oficina Petrocar, na zona sul de Manaus, credenciada à rede Bosch Car Service, especializada em manutenção em carros híbridos e a combustão.
“As oficinas particulares e credenciadas ainda estão buscando informações para aplicar esse tipo de serviço aos modelos elétricos. Precisamos de um espaço exclusivo e mais seguro para esses veículos e para o mecânico dentro da oficina porque há relatos de incêndios em alguns casos”, diz.

Ainda segundo Carrijo, o proprietário de carro elétrico que tiver problemas com o veículo deve levá-lo à concessionária para fazer os reparos. Os automóveis 100% elétricos não têm velas, correias ou engrenagens no motor e no câmbio. Os fabricantes afirmam que a manutenção para o proprietário é mais simples. Os freios, por exemplo, duram mais porque usa-se a força do motor para frear.
Para Lucciano Libório, montar um laboratório próprio para manutenção de elétricos exige investimento em equipamentos de segurança (luvas isolantes, carregadores dedicados, scanners específicos) e em homologação de processos. Para muitas oficinas independentes, esse desembolso inicial é elevado.
“O preço do carro também deprecia muito na hora da venda, chegando a quase 50%, mesmo sendo pouco rodado. Outro ponto importante é as limitações da rede de manutenção, pois ainda faltam peças de reposição em Manaus. O carro pode ficar parado meses sem peças. Em resumo, a tecnologia está muito recente e a sugestão seria esperar mais um pouco para fazer esse investimento”, diz Libório.
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Dados da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) mostram que no primeiro semestre deste ano foram emplacados 5.398 veículos, incluindo híbridos e elétricos, no Amazonas.
“De acordo com o artigo 150 do Código Tributário do Amazonas (lei 19/1997), a alíquota de IPVA de carros elétricos ou híbridos no Amazonas é de 3%, a mesma para veículos com motor de até 1000 cc (ou motores 1.0 litros por cilindro)”, diz a Sefgaz em nota.
Segundo o Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil importou US$ 2,7 bilhões em automóveis elétricos e híbridos no primeiro semestre de 2025. O valor representa uma queda de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024 – US$ 3,4 bilhões.
