

Por Eduardo Barreto, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) contrariou um acordo assinado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, ao divulgar informações falsas e desmentidas há anos pela Corte sobre as urnas nessa terça-feira (21).
No documento, obtido pelo Estadão, presidentes de todas as legendas prometeram atuar “na defesa, na segurança, na integridade e na confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro”. Após o evento, a campanha de Flávio “reafirmou integral confiança no sistema eleitoral”.
Assinado em 16 de junho, o compromisso entre os partidos e a Justiça Eleitoral “pela integridade nas eleições 2026” destaca ainda a “importância de garantir ao eleitorado informações claras e seguras para o pleno exercício da cidadania nas eleições 2026”.
Na carta que convidou os presidentes de partidos à reunião no TSE, o presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, escreveu que as siglas têm o dever essencial de orientar candidatos e filiados sobre a “confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, que constitui referência mundial”.
Informações desmentidas
Durante reunião com embaixadores nessa terça-feira, 21, Flávio repetiu informações sobre o sistema eletrônico de votação, refutadas publicamente pelo TSE. O presidenciável afirmou que as urnas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic.
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, disse.
Em 2020, contudo, o TSE já havia desmentido essa informação: “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do País”, diz a nota do tribunal, que acrescentou:
“O TSE reitera que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”, disse o TSE, que voltou a abordar o caso nas eleições de 2022.
Autonegação
Em nota, a campanha de Flávio Bolsonaro “reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.
O comunicado diz também que Flávio “afirmou expressamente que ‘não está questionando o sitema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”.
