
Por Katna Baran, da Folhapress
CURITIBA-PR – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 10, a 65ª fase da Lava Jato, com mandado de prisão preventiva – sem prazo – contra Márcio Lobão, filho do ex-ministro e ex-senador Edison Lobão. Ele será levado para Curitiba.
O MPF (Ministério Público Federal) aponta que Edison recebeu ao menos R$ 50 milhões dos grupos Estre e Odebrecht entre 2008 e 2014. O esquema de corrupção e lavagem de dinheiro seria ligado à Transpetro, subsidiária da Petrobras, e à usina hidrelétrica de Belo Monte. Segundo apurado nas investigações, os atos de lavagem se estendem até 2019.
Edison teria contado com a ajuda do filho para coletar a propina e lavar os recursos do esquema. O dinheiro teria sido entregue em espécie em um escritório de advocacia no Rio de Janeiro ligado à família Lobão. Segundo a PF, Márcio recebeu R$ 10 milhões das empresas por intermédio de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Um irmão do ex-senador também teria ajudado a lavar o dinheiro do esquema.
Para
lavar o dinheiro da propina, Márcio teria comprado e depois vendido obras de
arte por valores abaixo da média. Também teria simulado outras operações, como
venda de imóvel, empréstimo com familiar, interposição de terceiros em
operações de compra e venda de obra de arte.
Além disso, ele fazia depósitos fracionados em espécie e movimentava valores em
contas abertas em nome de empresas offshore no exterior, segundo as
investigações.
As transações apontam para um incremento de patrimônio de cerca de R$ 30 milhões. As provas que indicam esses pagamentos, segundo o MPF, são depoimentos de colaboradores, registros no sistema de controle de propina da Odebrecht e evidências que apontam para ligações e reuniões entre os investigados. As operações motivaram buscas e apreensões em endereços de galeria de arte e de agentes financeiros que geriam contas de Márcio Lobão no exterior, como no banco suíço Julius Bär. Ao todo, são 11 mandados.
O nome da operação – Galeria – remete às transações com obras de arte que teriam sido utilizadas como forma de dar aparência lícita aos valores obtidos ilegalmente.
