
NOVA YORK (EUA) – O vice-presidente do Brasil, Michel Temer, afirmou que existe uma “crisezinha” política no País, por causa da decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de se tornar oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. “O Cunha fez declaração de natureza pessoal e fez questão de registrar esse fato. O próprio partido já se manifestou que não significa o afastamento do PMDB significa o afastamento dele”, afirmou Temer em rápida conversa com jornalistas nesta segunda-feira, 20, após fazer uma palestra para investidores e pessoas do meio acadêmico em Nova York.
“Crise institucional não existe. É uma crise política, mas não institucional”, disse Temer ao falar sobre o momento atual em Brasília. “O Brasil vive uma tranquilidade institucional apesar de todos esses embaraços. Esses incidentes ou acidentes que acontecem de vez em quando não devem abalar a crença no país”, afirmou o vice-presidente aos jornalistas.
Temer disse que vai continuar a manter o diálogo com o Congresso Nacional, “que tem sido sensível às nossas afirmações, às nossas postulações”, ressaltou na entrevista. “Devemos superar essa breve crise política que estamos tendo no momento.”
Questionando sobre a posição que tem sido defendida em Brasília por alguns políticos, como o deputado federal Jarbas Vasconcelos sobre o afastamento de Eduardo Cunha do Congresso enquanto é investigado pela Lava Jato, Temer disse que é uma questão a ser resolvida pela casa. “É uma decisão do Congresso Nacional. Quanto menos tivermos embaraços institucionais é melhor para o país.”
O vice-presidente também foi questionado sobre a posição de seu colega de partido e presidente do Senado, Renan Calheiros, que declarou no final de semana que o ajuste fiscal que vem sendo conduzido pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy ‘é cachorro correndo atrás do rabo’ é ‘enxugar gelo até ele derreter’.
“Acho que o Renan quis dizer que o ajuste fiscal ainda não é suficiente. Estamos todos de acordo. Temos que trabalhar mais para arrecadar mais”, disse ele. “Está havendo uma necessidade de readequação da economia, como aconteceu em vários países da Europa, é uma reprogramação.”
Economia e corrupção
Temer chegou em Nova York na noite de sábado e fez nesta segunda-feira uma apresentação de uma hora para investidores e acadêmicos norte-americanos, com o tema “Brasil em perspectiva: políticas econômicas e reformas em curso”. Na apresentação, Temer convidou os norte-americanos para investirem no país, principalmente nos projetos de infraestrutura que vão entrar em leilão em portos, aeroporto, estradas e ferrovias. “O Brasil tem segurança institucional, cumpre contratos”, afirmou.
O vice-presidente também afirmou, na apresentação, que o combate à corrupção no país está sendo feito “às claras”. “O que importa não é a existência da corrupção, o que importa é o combate à corrupção, que está sendo feito às claras, nada subterrâneo”, disse ele, destacando que organismos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário, estão trabalhando e funcionando com “toda tranquilidade e independência”. “Estamos passando por um momento de depuração”, afirmou Temer.
Em sua apresentação, que durou quase uma hora, Temer destacou diversas vezes que o Brasil não passa por uma crise institucional, que é “a mais grave das crises”. “Vivemos em um clima de absoluta estabilidade institucional. O Brasil tem pluralidade extraordinária, onde se vive uma liberdade e um enaltecimento das instituições democráticas”, disse ele.
Logo no início de sua apresentação, o vice-presidente destacou que o País não enfrenta no momento nem uma crise política nem uma crise econômica. “No Brasil não temos crise política porque temos apoio muito grande do Congresso”, disse Temer. “Em um sistema democrático a interação dos poderes do Estado é fundamental para a sustentação dos poderes da democracia.”
Temer também minimizou a piora da situação da atividade econômica no País durante sua apresentação. “Crise econômica eu diria que também não temos. O que há é uma necessidade de reacomodação da economia.” O vice-presidente afirmou que o Brasil está crescendo “politicamente, democraticamente e economicamente” e ressaltou que até há pouco tempo o país era devedor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, além de ter saldado as dívidas, tem reservas internacionais na casa dos US$ 370 bilhões.
Ainda em sua apresentação, Temer falou da redução da pobreza no País, com muitas pessoas migrando para a classe média, o que por sua vez gerou descontentamento por serviços inadequados em transporte público e outros segmentos. “As pessoas começam a perceber que devem receber melhores serviços do poder público e do setor privado e começaram a exigir maior eficiência. Não devemos nos infringir contra isso, ao contrário, devemos comemorar.”
Nesta terça, 21, ele volta a fazer uma apresentação em Nova York sobre o cenário atual do Brasil e em seguida tem encontros reservados com investidores dos EUA que investem no país.
(Estadão Conteúdo/ATUAL)
