Pesquisa Datafolha publicada neste final de semana revela a tendência de queda da candidata Marina Silva, enquanto registra indicação de alta do candidato Aécio Neves. Confirma-se investigação anterior do Ibope, que anotou elevação de 4 pontos em favor do senador mineiro, enquanto a acriana começava a descer a ladeira, distanciando-se de Dilma que permanece na liderança.
Marina também vê seus índices de rejeição crescerem, uma ameaça concreta às suas pretensões, uma vez que a impedem de recuperar os números que vem perdendo, pelo menos em princípio. No item, com 22%, já ultrapassou Aécio, com 21%, e chega perto de Dilma, com 33%, que também lidera dentre eleitores que nela não votarão em nenhuma hipótese. Importa observar que a candidata do PSB/Rede, em muito pouco tempo, dobrou seu percentual de rejeição, ao sair de 11 para 22%, a partir do momento em que passou a ser melhor conhecida pela população, via campanha nas ruas e programa eleitoral exibido na televisão e no rádio.
No geral, encurtou-se a distância entre Marina e Aécio, segundo levantamento dos dois institutos. Já foi de 20 pontos e agora é de 13. Mantido esse ritmo de aproximação e em tais circunstâncias, permite-se que os tucanos voltem a sonhar com uma disputa em segundo turno com a candidata do PT, como ocorria no início da campanha. É interessante registrar que Marina experimenta descenso de ponta a ponta do país, em torno de 5 pontos percentuais, à medida que Aécio cresce em todas as áreas, com exceção da Região Norte, onde o mineiro cai de 10 para 9%, com percentuais nada animadores.
Percebe-se que a campanha movida por Dilma e Aécio contra Marina tem realmente produzido resultados. Ao ser fustigada, nos dois flancos, como inexperiente, sem condições mínimas de tocar o Brasil com suas atuais complexidades, Marina apela para a pieguice, com a palavra próxima das lágrimas no palanque eletrônico. Com indisfarçável propósito eleitoreiro, a fim de sensibilizar as massas desinformadas e vulneráveis, usa de sentimentalismo barato para dizer que passou fome nos albores da vida. É até possível, embora de difícil compreensão no contexto generoso da Amazônia, uma região dadivosa que desconhece a miséria, ainda que tenha grandes contingentes populacionais vivendo na pobreza, em que pese seu fantástico patrimônio natural, cuja exploração racional a candidata pretende frear a qualquer custo.
A dianteira de Dilma (no Datafolha 37 a 30 e no Ibope 36 a 30) e o avizinhamento progressivo de Aécio (no Datafolha 30 a 17 e no Ibope 30 a 19), em relação a Marina, resultam do aumento considerável de informações que começam a circular sobre a candidata, sua história, sua qualificação pessoal e seus programas de governo. Tanto Dilma quanto Aécio, como é natural no embate em qualquer pleito, apenas e tão somente vocalizam a verdade sobre a vida política da acriana, tíbia e contraditória. Apresenta-se como pura e imaculada, mas carrega consigo os pecados da política tradicional e nasce do mesmo ventre que gestou Dilma e os petistas. Não adianta verberar com a dita nova política contra os estamentos vigentes, quando na raiz sempre esteve comprometida e inserida no quadro que agora condena.
Enquanto Marina, com a criação de sua Rede Sustentabilidade e em reiterados pronunciamentos, desacredita e desautoriza os partidos existentes, estabelecendo fronteiras maniqueístas entre seus membros, o candidato a vice em sua chapa reconhece ser impossível governar o Brasil sem a participação do PMDB, em declaração formal. Diz que administrará com os bons, presentes em cada legenda, mas não explica como será possível, levando-se em conta que o comando dos mais diversos grêmios permanece nas mãos de quem é considerado integrante da “banda podre” dos partidos.
O certo é que não se pode pretender governar o país, negando a ação política e reprovando a representação popular, constituída sob o influxo do regime democrático, com sua substituição por um colegiado utópico (sonhático), formado de conspícuos, virtuosos e cândidos, todos absolutamente sem máculas. Com visão tão distorcida do processo evolutivo das sociedades democráticas, ainda que com todos os seus atropelos e equívocos, marchas e contramarchas, impossível não cair na tentação da ditadura e do autoritarismo.
E é assim que Marina Silva chega ao povo brasileiro, com formulações teóricas e práticas insustentáveis, distantes da realidade nacional. Num primeiro momento, diante da crise do regime representativo e da falência moral da classe política no Brasil, ainda desperta interesse, mas logo em seguida cai no vazio das intenções quiméricas e irrealizáveis. No passo seguinte, alcança-se a dimensão pessoal e verdadeira da candidata, que a inviabiliza inteiramente como opção desejável e correta.
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