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Dia a Dia

Especialista defende política nacional para atingir meta do ensino técnico

3 de junho de 2025 Dia a Dia
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Jovens em curso técnico: continuidade de política educacional e melhor infraestrutura possibilitam atingir meta (Foto: Senai/Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – Uma década após a aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação), o Brasil está longe de alcançar a meta de triplicar o número de matrículas no ensino técnico de nível médio. Em 2014, a proposta era saltar de 1,6 milhão para 4,8 milhões de estudantes até 2024. Os dados mais recentes do Censo Escolar, porém, mostram que o país chegou a apenas 2.389.454 matrículas, o equivalente a 49,6% da meta.

Especialista em gestão educacional e financeira, Eliana Cássia de Souza avalia que o resultado frustrante tem causas profundas. “O ensino técnico ainda sofre com a descontinuidade de políticas públicas, infraestrutura limitada e uma visão cultural que o coloca como uma segunda opção em relação ao ensino superior”, afirma.

Eliana Cássia cita como exemplo o que considera enfraquecimento do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), criado em 2011 para impulsionar a modalidade, mas que perdeu força nos últimos anos por cortes orçamentários e mudanças de gestão.

Além da falta de investimento e de prioridade política, a especialista menciona a escassez de unidades físicas, sobretudo no interior do país e na Amazônia Legal, como um obstáculo estrutural. “Muitas vezes o jovem quer estudar, mas não há oferta próxima. Ou, quando há, o curso não dialoga com as demandas do território onde ele vive”, diz.

Outro desafio recorrente é a percepção social sobre a educação técnica. Segundo Eliana Cássia de Souza, essa formação ainda é vista por parte da sociedade como um “ensino de segunda classe”, mesmo quando oferece maior empregabilidade do que o ensino superior, por exemplo.

A especialista afirma que há caminhos para mudar o cenário. Ela defende a retomada de políticas públicas articuladas em âmbito nacional, com foco na interiorização do ensino técnico, na modernização curricular e no fortalecimento da chamada formação técnica dual, que aproxima escolas e empresas.

“É preciso apostar na formação técnica integrada ao ensino médio, na aproximação com o setor produtivo e no uso da tecnologia para alcançar regiões remotas. Isso exige visão de longo prazo e vontade política”, afirma Eliana.

“Outro investimento necessário para avançar com a formação técnica é a oferta de cursos em turnos diferentes, intensivos ou na modalidade à distância. Isso atende à demanda de alunos que querem muitas vezes a formação, mas não têm tempo suficiente devido a outras responsabilidades”, acrescenta.

Eliana Cássia de Souza é diretora-presidente do Centec (Centro de Ensino Técnico), fundado em 2010 em Manaus. O Centec oferece cursos técnico à distância.

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Assuntos destaque, Ensino a distância, ensino técnico
Cleber Oliveira 3 de junho de 2025
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